Vamos imaginar uma lebre linda, cheia de vaidade,  de olhos negros, muito charmosa, andando pelo bosque. 


Consegue imaginar como ela é bonita? Está vendo como, por ser assim tão linda, a lebre é super vaidosa?


Então é melhor dar um nome bem agradável para ela. Um nome que a deixe mais feliz ainda. Vamos lá, digamos: Berenice, está bom?


Dentre os animais todos ali no bosque, ela se acha a mais bonita, a mais esperta e a mais rápida. Será que é mesmo? Além disso, ninguém ali tem mais poder de faro para descobrir comida do que ela!


Resumindo, a lebre é top, a campeã absoluta, pois de todos os animais daquele bosque, ninguém é melhor que ela!


Mas acontece que nesse mesmo bosque vive também uma tartaruga misteriosa, que, nós vamos chamar de dona  Lentidão. Combinado?


Todas as manhãs essa vagarosa tartaruga vem passear despreocupadamente à margem do riacho.


Ela como se demora muito nesses passeios calmos, encontra normalmente todos os animais que vão ali dar um tempo na corrida do dia a dia.


Berenice,  a nossa querida lebre, também vai lá diariamente ao rio em busca de refeição, encontrando pelo caminho a tartaruga dona Lentidão.



De tão bonita, a lebre tornou-se muito convencida e esnobe. Além de ser assim tão convencida, a lebre também gosta de zombar dos outros, oh coisa feia. Ela se acha!!!


Assim que vê a tartaruga, todo dia, a lebre começa a debochar, a rir dela com desdém, chamando-a de velha rabugenta, débil e outros nomes bem piores!

Uma vez, numa tarde quente de verão em que todos os animais do bosque estavam todos reunidos debaixo da sombra de uma frondosa árvore, a lebre, resolvendo zombar de dona Lentidão mais uma vez, lançou o desafio mais terrível que podia: as duas apostarem uma corrida.

Os animais do bosque ao ouvir semelhante coisa, começaram a rir sem parar. Riram tanto da coistadinha da tartaruga que deu até dó. A raposa Teresa, que gostava muito de confusão, pôs-se a gritar sorrateira:


- Olha que a tartaruga ganha de você, hein. KKKKKKKKKKKKK


E todos os animais caíram assim mais ainda na gargalhada.


Até que o tatuzinho entrou na conversa:


- Tudo depende da vantagem que se der, aposto na vitória de dona Lentidão nessa corrida. Mas vou pensar!


Todos os animais do bosque começaram a falar ao mesmo tempo sobre a corrida e, discutiam calorosamente qual a possibilidade da tartaruga poder ganhar da lebre.


A lebre ao ouvir tantos comentários horriveis, ficou envergonhada com o bulling verbal e se aborreceu deveras por dentro,  pois Berenice  achava que era o fim do mundo alguém duvidar da sua capacidade de vencer a lebre.


Então, decidiu com determinação. Aceitou o desafio, escolheu o melhor dia para a corrida e impôs suas condições, sendo que a raposa ficasse responsável por organizar tudo.


Ficou decidido, linha de largada seria ali mesmo à beira  riacho, onde se encontrariam as torcidas de uma e de outra.


Todos eufóricos, no dia e hora da corrida estavam lá, alguns chegando até antes da lebre e da tartaruga, que ocuparam seus lugares:


A lebre muito alegre e confiante da sua vitória e, a tartaruga com os seus olhos pequeninos e tristes, parecendo mais pesada do que nunca e ouvindo mais deboches.





Enquanto a lebre começava a corrida na linha de partida, junto ao pé de Ipê, a tartaruga começava mais a frente, quase no meio do caminho, em direção ao riacho.


A raposa deu o sinal de partida e a tartaruga, sem perder tempo, começou a andar aceleradamente pela encosta abaixo. Mas a lebre continuava ali, tripudiando, parada, no mesmo lugar, enquanto observava dona Lentidão caminhando bem devagar.
Convencida, a lebre gritava:



“Não corra tanto, velha tartaruga, você pode cair e se machucar, sua louca.



A lebre de tão confiante na vitória por seus dotes naturais, resolveu tirar uma soneca na sombra do pé de ipê, pensando que a tartaruga ia devagar como de costume, de forma que sendo ela uma lebre veloz, em dois tempos ultrapassaria e com certeza iria  ganhar a corrida.


No entanto, pouco a pouco, dona Lentidão ia fazendo o seu percurso em direção à meta, já muito cansada mas sem desistir.
Complacentes, alguns animais do bosque até acompanhavam a tartaruga, animando-a com palavras de encorajamento.



Dona Lentidão, a tartaruga, estava quase vencendo  quando a lebre despertou da soneca, levou um susto enorme, deu um salto rápido, viu a tartaruga lá longe. Desesperada, ela saiu correndo monte abaixo, parecia  louca desvairada.



O tatu xereto só gritava, apavorado:


”Cuidado Berenice, assim você vai cair, sua linda!”


Mas a lebre perdeu o controle de si mesma,  não ouvia nada nem ninguém e continuava tentando correr atrás do prejuízo, ainda convencida da sua vitória.


Os animais do bosque estavam cada vez mais animados e gritavam uns pela tartaruga, outros pela lebre, mas com a aproximação rápida da lebre, muitos duvidavam da sorte da tartaruga.



Foi então, muito perto do fim que a tartaruga tropeçou numa pedra, deu uma cambalhota e começou a rolar estrada abaixo!


Do nada, como num passe de mágica, sem perceberem o que tinha acontecido, os animais do bosque viram a tartaruga, rebolando, atravessar a linha de chegada fazendo o V de vitória como quem ganha o prêmio de uma corrida de Formula 1 no autódromo de Interlagos.



Incrível… a tartaruga tinha ganho a corrida perante o olhar espantado da lebre!



Todos, solenemente, deram vivas à tartaruga, fazendo festa, carregando a suada Berenice nos ombros. 


Mas, enquanto isso, bem sorrateira, com mais apressa ainda, a convencida da lebre Berenice fugia em disparada para a sua toca, de orelhas baixas e com bastante vergonha.


É sim, assim, os que se humilham são exaltados pela justiça das coisas. E os que se exaltam serão humilhados, na terra e no céu.


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