Está sendo uma ótima oportunidade para estudar melhor do ponto de vista clínico, social e jurídico o conceito da síndrome da alienação parental.


Possibilita identificar todos os sujeitos envolvidos nesse processo, explanar seus comportamentos, relatar alguns efeitos recorrentes nas crianças ou adolescentes que são vítimas dela, informar e comentar pontos importantes e apontar algumas prováveis soluções para impedir ou tentar amenizar suas consequências ou quiçá a banir a sua instalação.


Vamos dar conta fazendo uso também da pesquisa de campo, efetivando-se através de entrevista, assim como a pesquisa bibliográfica e documental, buscando informações em livros e meios eletrônicos, reportando sempre ao material do Curso de Constelação Familiar.


Para tanto, me servi de uma parceria com uma graduanda em Direito pela Faculdade Católica Dom Orione, de Araguaína e Conselheira Tutelar apaixonada pelo tema.

Trata-se de um tema nada estranho à Constelação Familiar, principalmente quando aplicada aos momentos mais difíceis da família.

Em função da grande mudança social, muitas separações ocorrem na sociedade, pelo fim dos casamentos e o precioso relacionamento entre pais e filhos na maioria das vezes perece.


Diante dessas separações as crianças e adolescentes começam a sofrer uma violência silenciosa, que por maioria das vezes é praticada por sua mãe, vez que é comum que ela detenha sua guarda.


Nesta ruptura da vida conjugal são gerados sentimentos de abandono, de rejeição, de traição, surgindo forte tendência vingativa, revolta.


A este processo dá-se o nome de Síndrome da Alienação Parental, onde os filhos por serem a parte mais fraca, são levados a rejeitar o genitor, ou seja, a odiá-lo.


Diante disso cria-se uma série de situações que dificulta a visitação por parte do outro cônjuge.


Quem não consegue lidar e compreender o luto da separação, geralmente desencadeia um processo de desmoralização do ex-cônjuge, fator este, que deixa a
criança ou adolescente em difícil situação, considerando que este ainda está em fase de formação.


Portanto, começamos a perceber que a Síndrome da Alienação Parental é uma forma de violência silenciosa e que traz sérios transtornos psicológicos, afetam diretamente o comportamento das crianças e adolescentes e prejudicam a sua qualidade de vida e de educação inclusive do caráter e da sensação segurança.


Ressalte-se que o Estado, a religião, a terapia não podem ficar inertes diante dessa tal situação de violência contra muitas crianças e adolescentes no interior de suas famílias.


Principalmente porque os efeitos dessa violência atingem a sociedade de modo geral, tornando-a mais enferma em termos de saúde mental.


A denominada SAP - Síndrome da Alienação Parental foi descrita pela primeira vez pelo médico psiquiatra Richard Gardner, no ano de 1980, o qual
conceituou como a rejeição injustificada da criança a um dos genitores no pós divorcio.


Ela ocorre quando uma criança é programada para que odeie um dos genitores, que quase sempre é provocado pelo qual detém a exclusividade da guarda do(s) filho(s), que acontece com grande frequência quando há ruptura da vida conjugal.


Quando este não consegue lidar adequadamente com a separação, desencadeia um processo de desmoralização do outro(a) genitor(a), usando o filho como escudo no processo vingativo, com agressividade direcionada ao parceiro.


O instituto da Alienação Parental é um transtorno de ordem psicológica que se caracteriza por um conjunto de sintomas pelos quais um genitor, denominado cônjuge alienador, transforma a consciência de seus filhos, mediante diferentes formas estratégicas de atuação, com o objetivo de impedir seus vínculos com o outro genitor.


A alienação parental é tida como um descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental, pois ocorrendo a separação dos pais, o filho não pode se sentir como objeto de vingança.


Uma característica mais observada é a manipulação, que pode acontecer pelo pai, mãe, avós e ou responsável que detém a guarda da criança e do adolescente, isso advém de atos que muitas vezes são praticados pelo alienante com o fim de obter vantagens em relação ao outro cônjuge e demonstrar um poder maior sobre os filhos, fazendo com que ele seja excluído completamente da memória dos filhos e logo, sejam vistos como pessoas estranhas em seu convívio.


Por fim, quando for constatada alguma Alienação Parental, de preferência bem antes de começarem a surgir suas primeiras consequências, deve ser feito uma Constelação de preferência presencial diante de um número o maior possível de envolvidos na cena, principalmente a criança.


No lado jurídico aplicar-se as medidas acautelatórias estabelecidas em lei, socioeducativas e por vezes repressivas a fim de diminuir e obstar tal comportamento, devendo, no caso em concreto, predominar o interesse da criança, restabelecendo-a ao convívio familiar e aos vínculos emocionais de afeto e amor entre o filho e o alienado.


A Constelação Familiar, em casos assim, é forte contribuição, pois realinha e harmoniza internamente os sujeitos agentes e reagentes da cena em seu devido papel.


Esses seres vivem encalacrados pelas consequências da SAP, que, em geral, se origina em problemas gerados no histórico familiar. A CF pode, com sua metodologia fenomenológica libertadora, detectar as melhores soluções. Acredito muito nisso.
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