Quando decidimos construir uma casa, a primeira coisa que fazemos, com
certeza, não é ir a uma loja de materiais de construção para comprar os tijolos, a
areia, o cimento. Passamos muito tempo, às vezes anos, planejando como será a
nossa casa. Pensamos na disposição dos quartos, da cozinha, do banheiro. Depois
disso, desenhamos nossa casa, ou buscamos ajuda profissional para isso. Pois
bem, tal qual conversar com um arquiteto sobre as possibilidades que se tem
ao pensar na construção de uma casa, desejando que ele desenhe um projeto
que, ao mesmo tempo em que se pretende a realização do sonho, caiba no
bolso, o pesquisador, antes de realizar uma pesquisa, precisa desenvolver um
projeto que contemple suas expectativas e que seja realizável. É o momento
do planejamento do que se pretende com a realização da pesquisa.
O projeto não é algo fixo, nem tampouco uma parte do trabalho que possa
ser publicada. No decorrer da pesquisa, você pode querer alterar seus objetivos,
enfocando outros temas que melhor evidenciem o que pretende pesquisar, ou
ainda, escolher outros autores para compor o quadro de referências teóricas,
fundamentando sua pesquisa. Nessa fase, você fará leituras, análises e escolhas,
então, toda alteração é possível.
Por outro lado, o projeto não pode jamais ser confundido com o trabalho
em si: o TCC ou trabalho de conclusão de curso (artigo, monografia, dissertação
ou tese). O projeto é uma fase da pesquisa, mas não é ele que vai ser publicado,
divulgado. No trabalho final, por exemplo, não é necessário fazer um capítulo
de fundamentação ou quadro teórico, porém, é esse quadro desenhado no
projeto que dará embasamento aos capítulos, permitindo que o leitor defina
os autores que fundamentaram o trabalho.
Nesta unidade vamos entender como desenhar um bom projeto de pesquisa,
elencando todos os seus elementos, aprendendo uma forma de iniciar uma
pesquisa e, principalmente, a não se perder de seu objetivo final.
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importância e
características
de um projeto
de pesquisa
Pós-Universo 7
É o projeto que vai nortear o pesquisador ao longo de todo o processo de pesquisa.
Ele compõe-se, basicamente, dos seguintes tópicos:
a. Definição do tema.
b. Elaboração dos objetivos.
c. Determinação do problema.
d. Formulação das hipóteses.
e. Explicitação da justificativa.
f. Escolha da metodologia.
g. Fundamentação teórica.
h. Elaboração do cronograma.
Vamos agora verificar de que modo é possível desenvolver cada um desses passos
e a importância deles para a execução de uma pesquisa.
Definição do Tema
Ao selecionar o tema que pretende pesquisar, algumas competências são imprescindíveis
ao autor. Vamos enumerar algumas delas:
a. Relação pesquisador x tema: é muito importante que o pesquisador tenha
alguma intimidade com o tema que pretende pesquisar, caso contrário, não
sabe nem por onde começar seu trabalho. Portanto, antes de se propor a
pesquisar qualquer tema, são necessárias muitas leituras e discussões que
despertem o interesse do pesquisador. Se for um trabalho que demande
mais tempo, como uma dissertação ou uma tese, caberá ao autor a tarefa
de se deparar diariamente com livros, reportagens ou artigos, por um ano
ou mais. Imagine fazer isso sem gostar ou ter intimidade com o assunto
escolhido?
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b. Curiosidade epistemológica: a curiosidade é o desejo de aprender, de
descobrir, de saber sobre algum objeto. Para isso, tal “objeto” deve despertar
o interesse do pesquisador, fazendo-o indagar sobre todos os aspectos que
o compõe. A epistemologia é a relação que se estabelece entre um sujeito
e um objeto, ainda que esse objeto seja o próprio sujeito.
c. Pensamento criativo: fazer sempre o mesmo percurso entre a casa e o trabalho,
por exemplo, não permite a expressão da criatividade, pois o sujeito o faz
automaticamente. Possibilitar a expressão da criatividade exige se propor
a pensar um mesmo problema sobre outros prismas, imaginando diversas
soluções, por mais estranhas que pareçam em um primeiro momento.
d. Honestidade intelectual: ao realizar um trabalho de pesquisa, é necessário
ser muito fiel aos autores lidos. Sempre que utilizar ideias, textos, conceitos
de outros autores, esses autores devem obrigatoriamente ser citados, seja
em forma de paráfrase, seja em forma de citação literal (como veremos
neste livro mais adiante). Utilizar conceitos de outros autores sem citálos é caracterizado como plágio, é um “roubo” de ideias e, como tal, deve
ser punido. Sabemos o quanto é difícil produzir um texto. Às vezes, nos
debruçamos por horas sobre um papel em branco para produzir algumas
poucas linhas. Imagine ver essas linhas que você produziu, assinadas por
outra pessoa? Nada agradável, não é mesmo?
e. Autocorreção: ao se propor a escrever um texto, é necessário ir refazendo
a leitura dele durante sua tessitura, para verificar se ficou inteligível, se está
com as ideias concatenadas, e se faz sentido ao leitor. Por vezes, escrevemos
para “cumprir protocolo” e acabamos não relendo a produção. Resultado: o
texto pode ficar truncado, sem sentido para o consumidor final. É preciso
sempre ter a preocupação em oferecer um texto claro, coeso, coerente e
lógico.
f. Paciência: dificilmente acertamos na escrita de um texto em uma primeira
tentativa. Comumente produzimos um parágrafo, lemos, apagamos algumas
partes, relemos, procuramos outros autores, apagamos tudo, escrevemos
novamente... É um exercício de paciência e como tal, deve ser respeitado.
Um texto só é bom o suficiente, quando lemos e gostamos do que foi
produzido, portanto, nada de pressa.
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A pesquisa bibliográfica, assim como qualquer tipo

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