FENOMENOLOGIA

              Do ponto de vista fenomenológico, a educação é intencionalidade, abertura às múltiplas dimensões do real; ao mundo humano, mundo 
do trabalho, do lazer, da arte, da ciência, da família, da religião, da política, da cultura.”


                Neste sentido a fenomenologia opõe-se fortemente contra a fragmentação da realidade imposta pelo pensamento positivista instrumental. 

                 E ainda, ao contrário desta visão estática a “fenomenologia percebe a educação como expressão humana e, portanto, do imprevisto, do inacabamento, da criação, da subjetividade, da crítica, da
busca de sentido.”

                   Entre as categorias  fenomenológicas: a intencionalidade.

                    As principais categorias, porém, que formam a fenomenologia são: a intencionalidade, a epoqué e o lebenswelt.

                    Ao desenvolver os conteúdos dessas categorias, Edmund Husserl constrói ao mesmo tempo uma dura crítica à influência do positivismo na área das ciências humanas, e afirma a facticidade da experiência humana nos estudos fenomenológicos ao contrário da teorização objetivista das ciências da natureza.


                    Na visão de Brutscher “a intencionalidade da consciência consiste na relação que se estabelece entre os atos de consciência e os objetos intencionados por essa mesma consciência.” Para ficar claro em qual horizonte se delineia esta
questão, é importante situá-la na relação entre subjetividade e objetividade. 

                    Nesta  relação, para a fenomenologia, se implicam de maneira incindível tanto o sujeito quanto o objeto, formando extremidades correlativas. 

                   Deste modo “a intencionalidade da consciência significa a relação entre a consciência e a realidade sobre a qual
a consciência se volta, permitindo que se constituam respectivamente e correlativamente em subjetividade e objetividade.”

                    É bom lembrar que a intencionalidade é na fenomenologia de Husserl o núcleo estruturante do seu pensamento.  afirma que “para fenomenologia,


                     Pós-Universo a consciência é intencionalidade. É o próprio ato de estar-se atento a, dirigido para.”


                    Neste sentido só é possível falar de consciência, se for consciência de alguma coisa.


                   Segundo Zilles “coisa (sache) não são objetos físicos, mas o fenômeno como o imediatamente dado à consciência, isto é, como se apresenta ou manifesta à consciência.” 

                   Percebe-se então que a consciência intencional prescinde do “empírico, dos preconceitos e pressupostos, do singular e do acidental, para chegar às essências dadas, as quais são o objeto inteligível do fenômeno, captado numa visão
imediata da intuição.” 

                   Esta forma de compreender o processo de construção de relações e do conhecimento instaura no campo educacional novas perspectivas para superar a via que propõe uma separação entre o sujeito e o objeto. De fato, na fenomenologia, como
afirma Saviani.

                     (...) existe uma íntima relação entre as coisas, entre o sujeito e o mundo. Ela parte do princípio de que não existe realidade sem sujeito, nem sujeito sem realidade. 

                      A fenomenologia resume-se, pois, a uma atitude mediante a qual o homem se volta para as coisas, para o mundo dado e passa a descrevê-lo
tal como ele aparece à consciência de forma imediata. Essa atitude é possível em virtude da intencionalidade da consciência.


                     Continuando na descrição das categorias fenomenológicas que contribuem com diversas áreas do conhecimento, de forma específica com a pesquisa no âmbito da epistemologia da educação, descreveremos a epoqué numa próxima oportunidade.


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