Entenda como as transformações sociais, longe de serem dificuldades, são belas oportunidades para uma intervenção bem sucedida.  A Psicanálise é um caminho maravilhoso para quem deseja se cuidar  para cuidar bem dos seus.





Com 13 anos de idade, Glenda Koslowski  foi campeã mundial pela primeira vez no bodyboarding,  no Havaí. O sonho que ela tinha quando criança, de ouvir o hino nacional e ver a bandeira do Brasil sendo hasteada, foi então realizado: "Fui campeã brasileira em 86 e fui convidada para participar desse primeiro campeonato mundial no Havaí, e fui campeã. Quando cheguei no Havaí, as pessoas não sabiam onde era o Brasil, perguntavam para mim se tinha macaco. As portas se abriram, eu comecei a ter patrocínio de verdade, comecei a ganhar dinheiro com o esporte. E aí eu comecei a ver que aquilo era a minha profissão".






Nossas palavras podem transformar nossas vidas em um inferno ou paraíso na Terra!
Jailma Moraes
Jailma Moraes • 30 de junho de 2019 • 3min. de leitura
 2Salvar

 Morte da mãe foi o maior "caldo" da vida
Glenda tomou muitos caldos durante a carreira no bodyboarding. Mas o pior deles não foi no mar. Aos 20 anos e grávida do primeiro filho, a ex-surfista perdeu a mãe Anamaria após um câncer agressivo.

"A vida passa muito rápido. Hoje você está aqui, amanhã não está mais. A gente está vivendo um mundo muito de filtros, aparências, eu não lido com isso, sabe? Eu ainda tenho aquela menina que está de biquíni na praia pegando onda, que gosta do sol, da natureza. Eu vi minha mãe definhar e ela era minha referência. Ela era forte, era incrível, e ela definhou em seis meses. Estava saudável e seis meses depois ela ficou um palito, careca, em uma cama de hospital, entrou em coma e morreu".
Após o luto, veio uma nova vida. E ela desabou
Meses depois da morte de sua mãe, Glenda deu à luz o primeiro filho, Gabriel, hoje com 23 anos de idade. Lidar com alegria e tristeza ao mesmo tempo foi complicado, e a jornalista desabou. Teve depressão pós-parto e teve dificuldades para cuidar do bebê.

"Eu tive uma depressão muito severa, parei de amamentar porque tive que tomar remédios. Não lidei bem com o início da maternidade, eu não conseguia fazer aquilo, eu sentia muita falta da minha mãe. Foi um processo de um ano muito difícil", conta Glenda.

Gabriel foi crescendo e Glenda fazia o máximo para ser presente, inclusive incluindo o filho em sua rotina de hotéis, aeroportos e mudanças constantes. O jovem vivia a vida da mãe e acabou sofrendo.

"Ele não tinha mãe, né? Eu estava nos Estados Unidos, então o Gabriel é americano. Quando voltei e fui contratada pela Globo, ele tinha três meses. E aí como é que faz? Eu trabalhava 20 horas por dia. A infância do Gabriel foi muito turbulenta. E isso é difícil. Fui mãe com 20 anos de idade. Se parar para pensar, dos 0 aos 10 anos dele, eu saí de 20 para 30 anos. Continuava sendo nova. O Gabriel sentiu muito. Ele chegou a ir morar com o pai, queria uma estrutura, uma base. Antes dele ir embora para Portugal fazer faculdade, ele falou: 'mãe, eu sofri bastante com a sua ausência, mas hoje entendo tudo o que você fez por mim, então eu quero te agradecer muito tudo'", lembra.

                                     Terapia com mães dos craques

Antes do início da Copa do Mundo de 2018, Glenda comandou "As Matrioskas", uma viagem pela Rússia com Nadine, Vera e Ane, mães de Neymar, Gabriel Jesus e Fernandinho, respectivamente. Durante a experiência, foi inevitável para a repórter não se lembrar da própria mãe. Em muitos momentos, ela se viu com dificuldade para lidar com as lembranças, mas ao mesmo tempo se sentiu abraçada por aquelas mulheres.

"O programa foi uma grande terapia de quatro mulheres, porque ali cada uma trazia a história, se identificava e dava um conselho para a outra, então quando uma estava mais emotiva a outra vinha e dava colo. Alguma vez você já passou por aquilo que elas passaram, talvez não na dificuldade financeira, mas na dificuldade emocional. Hoje em dia, a gente tem muita mulher que é divorciada, que cria sozinha os filhos, que não tem ajuda de ninguém. Vários momentos as três vinham e me abraçavam: 'está tudo bem, Glenda, vai passar'".

Queria jogar vôlei, mas foi rejeitada por Fla e Flu
O bodyboarding não era o plano inicial de Glenda. Na infância, a ex-surfista sonhava em ser jogadora de vôlei, conquistar títulos e subir ao lugar mais alto do pódio para ouvir o hino nacional brasileiro. Com apoio da mãe, ela fez testes em clubes como Flamengo e Fluminense, mas foi rejeitada. É uma decepção que carrega até hoje.

"Sempre fui a mais alta da sala. Com nove anos de idade, eu calçava 39, me sentia um E.T.. Sempre a grandona. E aí eu queria jogar vôlei de qualquer jeito, porque eu olhava as meninas, na época a Isabel e Jaqueline, que jogavam pelo Flamengo, na Olimpíada de 80, e me imaginava: 'tudo certo, vou ser jogadora de vôlei, vou jogar pela seleção brasileira e vou ser campeã olímpica e vou escutar o hino nacional'."

"Com 10 anos eu fui para a escolinha do Flamengo para tentar passar pela peneira. Fui negada, não fiquei nem 20 minutos. Eu devia ser realmente muito ruim. Pensei: 'tudo bem, vou para o Fluminense e lá eu vou entrar'. Fiz a peneira toda e no final também não fiquei. Foi uma tristeza muito grande, porque na minha cabeça o roteiro estava todo feito. Falei 'cara, e agora?'. Eu tenho esse sentimento comigo até hoje, essa frustração", relembra.
Após ser rejeitada pelo vôlei, Glenda entrou na onda do bodyboarding. Tudo começou com uma brincadeira entre o grupo de amigas do condomínio em que morava no início dos anos 1980. Ela começou a tomar gosto pela coisa e a diversão ficou séria.

"Na época, teve uma competiçãozinha, que todo mundo entrou, todo mundo brincou e eu fiquei em segundo. Já achei incrível, porque ganhei prancha, pé de pato, comecei a ganhar biquíni. Imagina, quando você tem 11 anos de idade acha isso o máximo. Aí eu participei do lançamento do tênis da Redley, comecei a ser patrocinada. Nessa idade, com a adolescência ou pré-adolescência chegando, você se acha incrível", conta.

"Esse condomínio foi um condomínio abençoado, porque a gente fez parte de uma geração, trouxe o esporte radical para os jornais. Eu lembro que fiz capa da 'Folha', do 'Estadão'. Levando nosso esporte, trazendo um novo movimento, um novo jeito de ser e o jeito de lidar com a vida."

Reprodução/Instagram
E, finalmente, ouviu o hino nacional
Com 13 anos de idade, Glenda foi campeã mundial pela primeira vez no bodyboarding, em um campeonato realizado no Havaí. O sonho que ela tinha quando criança, de ouvir o hino nacional e ver a bandeira do Brasil sendo hasteada, foi então realizado.

"Fui campeã brasileira em 86 e fui convidada para participar desse primeiro campeonato mundial no Havaí, e fui campeã. Quando cheguei no Havaí, as pessoas não sabiam onde era o Brasil, perguntavam para mim se tinha macaco. As portas se abriram, eu comecei a ter patrocínio de verdade, comecei a ganhar dinheiro com o esporte. E aí eu comecei a ver que aquilo era a minha profissão". 

0 Comentários