A Bíblia nos mostra que o próprio Cristo edificou uma Igreja e que utilizando um pronome possessivo, a chamou de “minha”: 

           "Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus. (Mt 16, 18-19).

             Ensinavam os apóstolos: Todavia, se eu tardar, saberás como proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo: coluna e sustentáculo da verdade. (I Timóteo 3, 15) 

            Escreveu um sucessor dos apóstolos, mártir aproximadamente em 107 d.C., quando a Bíblia ainda nem tinha sido organizada, quando ainda não existia nenhuma relação definitiva identificando quais livros eram gnósticos, quais eram apócrifos e quais eram canônicos e infalíveis (cânon / lista de livros inspirados): 

           Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica. (Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir em 107 d.C., Epístola aos Esmirnenses 8, 2) 


           A própria Bíblia nos revela que há uma só Igreja, como também um só batismo e uma só fé: procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. 

          Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; (Ef 4, 3-5) 

         Vejamos o que testemunharam mais alguns dos primeiros sucessores dos apóstolos durante os séculos (Patrística): 

         O primado é conferido a Pedro para que fosse evidente que há uma só Igreja e uma só cátedra. 

         Todos são pastores, mas é anunciado um só rebanho, que deve ser apascentado por todos os apóstolos em unânime harmonia. 

        Aquele que não guarda esta unidade, proclamada também por Paulo, poderá pensar que ainda guarda a fé? Aquele que abandona a cátedra de Pedro, sobre o qual foi fundada a Igreja, poderá confiar que ainda está na Igreja? (São Cipriano de Cartago, †258) 

         Levemos em conta que a própria tradição, ensinamento e fé da Igreja Católica, desde o princípio, dadas pelo Senhor, foi pregada pelos apóstolos e foi preservada pelos pais. 

         Nisto foi fundada a Igreja; e se alguém se afasta dela, não é e nem deve mais ser chamado Cristão. (Santo Atanásio, Carta a Serapião de Thmuis, 359 d.C.) 

         Desde que o Verbo Encarnado desceu até nós, todas as Igrejas cristãs de todo o mundo tiveram e têm a grande Igreja que vive aqui (em Roma) como única base e fundamento, porque, segundo as próprias promessas do Salvador, as portas do inferno nunca prevalecerão sobre ela. (São Máximo, o Confessor, †662 d.C.) 

        Não é atoa o zelo à unidade que vemos nos primeiros cristãos, estavam eles obedecendo o apelo do próprio Cristo, pois a Bíblia nos mostra que Jesus orou pela união da Igreja: Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. (São João 17, 20-23) 

         “Que todos sejam um, para que o mundo creia.”, “Que sejam perfeitos na unidade para que o mundo reconheça.” 

          É comum ver grupos protestantes debatendo com ateus e até com ideólogos anti-cristãos, mas ao tomar conhecimento desse pedido e oração de Jesus, fica claro que tudo será mais difícil enquanto esses grupos que se dizem “cristãos”, separados da Igreja, não retornarem à casa do Pai, tudo será mais difícil enquanto os protestantes não obedecerem Cristo por completo. 

         O apóstolo Paulo também alertou sobre as divisões: Eu vos exorto, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo: guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós; sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar. […] 

        Cristo estaria dividido?… (I Coríntios 1, 10. 13) Desde o início os cristãos já reconheciam a autoridade da Igreja fundada por Jesus sobre Pedro e os apóstolos. 

        Observemos quando no primeiro concílio da Igreja (Concílio de Jerusalém, 51 d.C.) Paulo foi ao encontro dos apóstolos, submeter-lhes questões doutrinais: 

        Entretanto, haviam descido alguns da Judéia e começaram a ensinar aos irmãos: “Se não vos circuncidardes segundo a norma de Moisés, não podereis salvar-vos”. 

        Surgindo daí uma agitação e tornando-se veemente a discussão de Paulo e Barnabé com eles, decidiu-se que Paulo e Barnabé e alguns outros dos seus subiriam a Jerusalém, aos apóstolos e anciãos, para tratar do problema. 

        Eles, despedidos afavelmente pela Igreja, atravessaram a Fenícia e a Samaria, narrando a conversão dos gentios e causando grande alegria a todos os irmãos. 

        Chegados a Jerusalém, foram acolhidos pela Igreja, pelos apóstolos e anciãos, e relataram tudo o que Deus fizera junto com eles. 

         Então, alguns dos que tinham sido da seita dos fariseus, mas haviam abraçado a fé, intervieram: diziam que era preciso circuncidar os gentios e prescrever-lhes que observassem a Lei de Moisés. 

         Reuniram-se então os apóstolos e os anciãos para examinarem o problema. Tornando-se acesa a discussão, levantou-se Pedro e disse: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, aprouve a Deus, entre vós, que por minha boca ouvissem os gentios a palavra da Boa Nova e abraçassem a fé. […] 

          Então pareceu bem aos apóstolos e anciãos, de acordo com toda a Igreja, escolher alguns dentre os seus e enviá-los a Antioquia, junto com Paulo e Barnabé. 

           Foram Judas, cognominado Barsabás, e Silas, homens considerados entre os irmãos. Por seu intermédio, assim escreveram: “Os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, aos irmãos dentre os gentios que moram em Antioquia, na Síria e na Cilícia, saudações! 

          Tendo sabido que alguns dos nossos, sem mandato de nossa parte, saindo até vós, perturbaram-vos, transtornando vossas almas com suas palavras, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, escolher alguns representantes e enviá-los a vós junto com nossos diletos Barnabé e Paulo, homens que expuseram suas vidas pelo nome de nosso Senhor, Jesus Cristo. 

           Nós vos enviamos, pois, Judas e Silas, eles também transmitindo, de viva voz, estas mesmas coisas. 

           De fato, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas, e das uniões ilegítimas. 

           Fareis bem preservando-vos destas coisas. Passai bem”. Tendo-se despedido, os enviados desceram a Antioquia, onde reuniram a assembléia e entregaram a carta. 

           Feita a sua leitura, alegraram-se pelo consolo que trazia. Entretanto, Judas e Silas, que também eram profetas, falando longamente, exortaram e fortaleceram os irmãos. 

          Passando algum tempo, estes despediram-nos em paz, de volta aos que os tinham enviado. (At 15,1-7; 22-33) Outro exemplo foi quando o Papa Clemente I (quarto Papa da Igreja Católica, de 88 a 97 d.C) em Roma, enviou exortações à Igreja de Corinto, por volta de 95 d.C., reafirmando-lhes na verdadeira fé, já que eles estavam criando divisões entre si. 

           Nesta exortação, o Papa lembrou que falava inspirado pelo Espírito Santo: Haveis de nos proporcionar alegria e prazer se vos submeterdes ao que escrevemos pelo Espírito Santo, cortando pela raiz a ira nascida do ciúme, conforme o pedido de paz e concórdia que vos fazemos por esta carta. (Papa São Clemente I, I Carta aos Coríntios, LXIII, 2) E, utilizando o plural majestático, lembrou que se caso eles não o ouvissem incorreriam em pecado grave: 

          Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno. (Papa São Clemente I, I Carta aos Coríntios, LIX, 1) 

          A autoridade de Clemente como bispo de Roma, quarto Papa da Igreja Católica, nos mostra que desde cedo, a Santa Sé tinha primazia sobre os cristãos.

          Em síntese sobre este incidente, Irineu de Lião (†202 d.C.), um discípulo de Policarpo (discípulo do Apóstolo João Evangelista, na linha da sucessão apostólica), assim o descreve:

         No pontificado de Clemente surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então a Igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta importantíssima para reuni-los na paz, reavivar-lhes a fé e reconfirmar a Tradição que há pouco tempo tinham recebido dos apóstolos… (Santo Irineu de Lião, †202 d.C., Contra as Heresias, Livro III, 3, 3) Em sua obra Contra as Heresias, Santo Irineu de Lião comenta a atitude dos hereges da época: E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias Igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõem à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade. (Santo Irineu de Lião, †202 d.C., 

        
                      Contra as Heresias, Livro III, 2, 1) 

         Portanto, a Tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta em toda Igreja por todos os que queiram ver a verdade. 

            Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas Igrejas pelos apóstolos e seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente [os hereges] vai delirando… (Santo Irineu de Lião, †202 d.C., Contra as Heresias, Livro III, 3, 1) 

            Irineu também deixa claro a subordinação universal à Roma no fim do século II; ele nos ensina que sempre devemos acatar o que diz a Santa Sé, e sempre devemos estar de acordo com ela (pois uma autoridade que provém da sucessão apostólica, não vem dos homens, mas do próprio Deus): 

            Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, (listar) as sucessões de todas as Igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à Igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou por vanglória, quer por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. 

             Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela (a Igreja de Roma), por causa da sua autoridade preeminente, toda a Igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a Tradição que deriva dos apóstolos. (Santo Irineu de Lião, †202 d.C., Contra as Heresias, Livro III, 3, 2) 

              Uma das passagens mais importantes da obra de Santo Irineu de Lião é aquela que descreve a Sucessão Apostólica de São Pedro (†67 d.C) à Santo Eleutério (†189 d.C), o Papa na época de Santo Irineu. 

              Ao todo, somam doze Papas. Santo Irineu nos confirma o primado da Santa Igreja em Roma, e nos dá a confirmação de que a Igreja edificada por Jesus sobre Pedro e os apóstolos, uma Igreja Visível, não acabou com a morte dos apóstolos. 

           Após o martírio de São Pedro, os apóstolos transmitiram a Lino o governo episcopal, o governo da Igreja Católica: Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a Igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. 

            Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a Tradição. E não era o único, porque nos seus dias viviam ainda muitos que foram instruídos pelos apóstolos. […] A este Clemente sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida, sexto depois dos apóstolos foi Sisto; depois dele, Telésforo, que fechou a vida com gloriosíssimo martírio; em seguida Higino; depois Pio; depois dele, Aniceto. 

          A Aniceto sucedeu Sóter e presentemente, Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a Tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora. (Santo Irineu de Lião, †202 d.C., Contra as Heresias, Livro III, 3, 3) Sempre, desde o tempo dos Apóstolos, houve uma autoridade central, a qual todas as Igrejas particulares deveriam estar de acordo. 

           Essa autoridade foi estabelecida sobre Pedro e seus sucessores, Bispos de Roma. Isso, por óbvio, para garantir a unidade na verdadeira Fé apostólica. Esta é a Tradição Viva da Igreja. A Sucessão Apostólica que a Santa Igreja Católica possui. Para aqueles que mesmo após observar tantas evidências históricas documentadas quanto à Igreja de Cristo, ainda dizem “Somente a Bíblia me basta”. 

             Saibam que a Bíblia isolada, separada da Tradição Apostólica, pode ser interpretada de diversas formas diferentes contraditórias à real interpretação, inclusive criando situações infundadas, baseadas em interpretações errôneas das Escrituras, assim como fez o próprio diabo: o diabo o levou à Cidade Santa e o colocou sobre o pináculo do Templo e disse-lhe: 

          “Se és Filho de Deus, atira-te para baixo, porque está escrito: Ele dará ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te tomarão pelas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra”. (Mt 4, 5-7) Logo, pode-se criar “base bíblica” para corromper, enganar, atacar a verdade, proibir o que não se deve proibir, liberar o que não se deve liberar. 

          Ora, é possível deturpar as Escrituras para “transformar” mentira em verdade e vice-versa. É possível usar as Escrituras para arruinar a vida do próximo e até a própria vida: Isto mesmo faz ele em todas as suas cartas, ao falar nelas desse tema. É verdade que em suas cartas se encontram alguns pontos difíceis de entender, que os ignorantes e vacilantes torcem, como fazem com as demais Escrituras, para a sua própria perdição. Vós, portanto, amados, sabendo-o de antemão, precavei-vos, para não suceder que, levados pelo engano desses ímpios, venhais a cair da vossa firmeza.(2 Pe 3, 16-17) 

         Infelizmente essa é a realidade que vemos em milhares de grupos separados da Igreja Católica, que se apoiam nas Escrituras, mas que não se entendem entre si, pois não à interpretam da mesma forma: onde uns guardam o sábado, outros o domingo; uns batizam crianças, outros não; uns dizem que já estão salvos antecipadamente, outros não; uns calvinistas, outros arminianos; fora os Testemunhas de Jeová, Mórmons, Neo-Pentecostais, etc. A cada desavença vão fundando novas denominações e se separando cada vez mais, é a reforma da reforma sem fim, e cresce a cada dia o numero de “Desigrejados”. 

         Raciocinemos, não é difícil de entender que entre numerosos contraditórios, apenas um pode conter a verdade integral, enquanto todos os outros são falsos, ou no máximo contém verdades incompletas. Ora, trata-se de lógica, um de dois contraditórios deve ser falso. Acaso o Deus perfeito, deixaria seus textos Sagrados à mercê de tantos erros? É obvio que não, é necessário que exista uma legítima interpretação das Escrituras. 

          Deus, em sua infinita perfeição, nos deixou sua Igreja visível na terra (cf. Mt 16,18), que através da Sucessão Apostólica permanece até os dias de hoje, e para garantir que as Escrituras sejam compreendidas corretamente por nós, Deus guia a autoridade de ensino da Igreja – o Magistério – para que esta possa interpretar perfeitamente a Bíblia e a Sagrada Tradição. É a mesma autoridade dos bispos, que reunidos nos primeiros séculos, aprovaram o cânon da Bíblia. 

         Uma vez Palavra de Deus, sempre Palavra de Deus, pois Jesus é o mesmo, Jesus não muda, não se reforma. O Verbo de Deus não é subjetivo para ser interpretado relativamente, o Verbo é a verdade objetiva que nos foi revelada e deve ser transmitida (e, portanto, inerrante e perpétua), o “jesus” subjetivo e relativo que o protestantismo nos apresenta, é uma cilada do demônio, pois como já visto, a desunião protestante não agrada a Deus. 

         Pelo poder do Espirito Santo conferido por Cristo (cf. Jo 20,22), os sucessores dos apóstolos ensinam a doutrina e interpretam a Bíblia, certos de que elas não podem ser interpretadas de forma particular. 

         Fazer uso do livre exame da Bíblia e tirar conclusões pessoais – que contradizem a legítima interpretação das Escrituras ensinada pelo Magistério da Igreja – é perigoso e pode levar à ruína. 

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