1. O que é a psicanálise?


         Coube ao grande médico psiquiatra Sigmund Freud esse honroso titulo de fundador da Psicanálise,  na passagem do século XIX para o século XX. 

         Médico formado na Universidade de Viena, em 1881, Freud se especializou em Psiquiatria, mostrando-se um renomado neurologista. 
        
         No seu dia a dia na clínica médica, deparou-se com pacientes acometidos por “problemas nervosos”, o que lhe suscitava certos questionamentos, visto a “limitação” do tratamento convencional oriundo da medicina.

         Seus feitos, conceitos e ideias estão presentes nas discussões do campo psicanalítico até hoje, o que trouxe profunda influência para o desenvolvimento de inúmeras linhas de estudos desde sua concepção.

         Conceitualmente o termo psicanálise é utilizado para se referir à teoria baseada nos preceitos da hermenêutica (campo de estudo, que tem por referência, a explicação que compreende a interpretação de sentidos implícitos, ou seja, possui um caráter investigativo que busca a interpretação do que está além do objeto).

           Nesse sentido, a psicanálise pode ser considerada um campo teórico e um método de investigação e interpretação, que culminam em uma prática clínica dotada de técnicas específicas.

            Enquanto teoria, pode ser caracterizada por um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre a estrutura e o funcionamento da vida psíquica, bem como sua repercussão na vida do sujeito.


          Como método investigativo, busca a interpretação de conteúdos que são ocultos e/ou inacessíveis às manifestações e ações do indivíduo em sua relação com o meio.

           Segundo Laplanche e Pontalis (1996), essa disciplina fundada por Freud pode ser dividida em três níveis:

● a) Um método de investigação que consiste essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Este método baseia-se principalmente nas associações livres do sujeito, que são a garantia da validade da interpretação.

        A interpretação psicanalítica pode estender-se a
produções humanas para as quais não se dispõe de associações livres.


● b) Um método psicoterápico baseado nesta investigação e o especificado pela interpretação controlada da resistência, da transferência e do desejo. O emprego da psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a este sentido; exemplo: começar uma psicanálise (ou uma análise).


● c) Um conjunto de teorias psicanalíticas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação
e de tratamento.

         À prática profissional, portanto, coube a alcunha de análise​, ou seja, uma forma de tratamento que se utiliza de técnicas investigativas específicas para o tratamento
daqueles que buscam seu autoconhecimento e/ou resoluções e entendimentos das perturbações que assolam a psique humana.

          Ou, nas palavras de Freud (1922), “​chamamos de psicanálise ao trabalho pelo qual levamos à consciência do doente o psíquico recalcado nele”. ​

          No artigo "QUE TIPO DE CIÊNCIA É, AFINAL, A PSICANÁLISE", o autor explica que Freud teoriza o campo psicanalítico em dois níveis, explicando que, em um deles, há uma ideia de generalidade.

          Descreve-se o inconsciente e suas implicações dentro do aparelho psíquico: os conflitos e angústias provenientes das pulsões e seus destinos na sua relação com a satisfação (ou não) do desejo.

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