Sr. Benedito Raimundo de Góes com esposa e filhos; meu professor na escola do reconhecimento do valor do outro, do elogio que hoje se chama  gratidão.


            Mesmo quando você chegava de roupa rasgada na presença dele, ele  dizia que você estava bem vestido. Mas, em seguida, fazia aparecer uma roupa melhorzinha para você vestir. 

            Sempre que penso José da Galiléia, penso nele. o pai sublime de Jesus deveria ser daquele jeito que ele foi, porque a Bíblia diz no livro dos Atos que "José era um homem justo e fiel".
Gosto de gente da paz como seu Benedito, gente que se importa com o outro, faz questão de elogiar e aquecer a alma sem esperar nada em troca.

            Gosto de gente assim. Aliás precisamos de gente assim para tornar o verde das matas mais brilhantes e o sol mais iluminador. Gente que se prende ao bonito que a vida tem, que se perde nas horas prazerosas, que se entrega às proezas, aos instantes únicos, aos laços importantes.

            Eu admirava o açougue do seu Benedito. Porque admirava o seu Benedito. Mas o dia que disse para ele que admirava, ele não demorou em dizer que também me admirava e que, por ser mais novo, tinha estrada afora possibilidades de ir mais longe do que ele.

            Era menino inocente, parecia, mas já senti que mais longe do que aquele sábio vidente comerciante de carne e elogiador de pessoas, ninguém jamais iria em tempo algum. 


            Mesmo assim em 1982 quando publiquei o meu primeiro livro com ajuda de amigos bons, entre eles uns famosos como Fred Jorge com sua irmã Rima, Aguinaldo Timóteo, Débora Bloch, Mário Gomes, Irene Ravache, Jorge Batista, Dermi azevedo, Doningos Cancian, Narciso Bueno de Camardo e sua Cidinha, Henfil, Bétinho, Hélio Bicudo, Padre Eusébio que era o mandante numero um de Capivari na época),  Belchior, Fagner, Wando e Boris Casoy. E outros que depois ficaram famosos como Cazuza e Adlemar Mineiro dos Santos,.


            Todos capitaneados pelas mãos fortes de Berenice Roque Pontes, que foi a maior incentivadora para que "VIVER ALÉM DAQUI"

            Nós o chamavamos de seu Dito, coisa que ele suportsva, mas não gostova muito, acho. Pelo seu orgulho de ter aquele nome de um santo ligadoao milagre da multiplicação da comida e da caridade ao próximo. 

           Ele era um venerável homem, dessa gente simples, que não pensa em quanto custa, e sim no valor que carrega. Que facilmente abraça a economia de afeição em momentos felizes, compartilhados com quem ama.
           
          Gente rara, de coração grande, que se emociona com a saudade, que ri de uma lembrança boa, que exala contentamento com sorrisos e abraços demorados.

          Gente que faz tudo virar uma linda comemoração, trocando  indiferença por convivência, que vê o lado bom de todos, mesmo nos momentos de dor. 

          Seu Benedito vendia mais que carne. Ele era especial, que não se resumia às dificuldades dos clientes mal educados, dos mau pagadores, dos fiscais ameaçadores e dos impostos abusivso de um Estado sócio inoperante do empresário.

          Ele dizia que os outros não tinham nada com seus problemas , que era comerciante porque queria e que problemas pessoais desaparecem com medo do bom humor e, sempre, essa gente usa as pedras do caminho para construir seu palácio.

           Dentro de sua casa ele era o rei, tratava a mulher como rainha, as lindas filhas como princesas e os dois filhos fantásticos como príncipes.  

           Gente fina se dizia dele, porque sabia usar a elegância com palavras, o luxo no olhar e todo seu requinte espalhando cortesia por onde passa.

          Humano e atento ele  comemorava a vitória alheia como sua,  trocando em qualquer lugar toda aversão por preferência, como estava escrito na parede do seu pomposo açougue no Mercado Municipal de Capivari: "obrigado pela preferência!" 

          Ele, prezando ser natural de Capivari, a "CIDADE DOS POETAS",  parecia que transbordava beleza em poesia, que levava confiança por onde passava, que fazia versos da própria tristeza e  melodia dos contratempós. Ele em pessoa rimava grandeza com beleza.

          Seu Benedito elogiava muito todo mundo, mas pelo fato de facilitar com isso a vida da maioria das pessoas. Seu propósito nunca transpareceu fazer isso para vender mais, mas  para aliviar angústia, que dá distância para ensinar a voar, que torce em pensamento, que se alegra com a corrida e não paralisa esperando o tempo passar.

         Ele soube deixar sua marca, inspirar com seu brilho e fazer o mundo mais doce com a gentileza que espalhou.

        A saudade dele nos ajuda a irrigar outros jardins, a cultivar outros corações. Com ele aprendemos a amar a vida que temos no instante em que ela acontece, a nos aceitar como somos e a viver intensamente, um dia de cada vez. Elogiando sempre, agradecendo, mas sem esperar elogios.

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