Talvez o Mussum fosse tudo que eu não era, mas queria ser. Ele foi criticado pela intelectualidade negra inclusive e pelos moralistas de plantão e isso creio ter sobrecarregado o coração. Do que mais me lamentei foi não tê-lo vivo para apresentar ao meu filho que tinha apenas quatro meses no dia. Hoje acho que os dois se conhecem melhor do que eu.

Cacildis. Ruth de Souza desce à sétima dimensão no mesmo dia e mês de Mussum. Ele faleceu no dia 29 de julho de 1994, aos 53 anos de idade.  sendo sepultado no Cemitério Congonhas, em São Paulo.



               Sou daqueles que amava o Mussun de todas as formas. Primeiro porque é um dos negros que abriu caminho para os outros. Segundo, porque era popular, dado, firme, sincero e companheiro de quem mais viesse.  O terceiro porque era um injustiçado financeiramente no grupo dos Trapalhões, com o perdão do Renato Aragão.

              Sua personalidade parece que abrangia um apogeu energético e ia mais fortemente ao coração da gente quando ele tocava em seu grupo de Samba. Ou quando parava nas esquinas da Barra ou de Jacarepaguá, centro do Rio, Engenho de Dentro, Cascadura ou Madureira, especialmente no caminho do trabalho para casa.

               Há 25 anos atrás, no dia 29 de julho, o glorioso sambista, humorista boa praça, Antônio Carlos Bernardes Gomes faleceu.

              Lembro-me como se fosse hoje, foi em decorrência de complicações após um transplante de coração. Chorei como criança e até agora lacrimejo ao batucar essas palavrinhas, desejando sorte ao destino dos seus familiares.


               Mas, Ave Maria, ele ressurge redivivo no seu personagem Mussum,  a cada dia que passa parece ser ainda mais eterno.

               O dono do bordão “Cacildis”, que virou cerveja ou cachaça nem sei) nasceu no dia 7 de abril de 1941, na cidade do Rio de Janeiro, no Morro da Cachoeirinha e começou sua carreira artística como tocador de reco-reco no grupo Os Modernos do Samba, que mais tarde deu origem ao Os Originais do Samba, que mete bronca nas paradas até agora.

             Os Originais fizeram um estrondoso sucesso em meados dos anos 60 e 70, chegando a ser o show mais caro do país.


                                               O Mussum
          
              Pelo papel bem feito, mas extremamente negrigente em relação à imagem pública da raça negra, pouco aplaudi o Mussum no inicio. 

              Mas, ele era engraçado por natureza. Pela forma jocosa como o músico se apresentava nos palcos nos shows do grupo Os Originais do Samba levou Mussum a fazer algumas pontas na televisão num programa do genial Grande Otelo, que parece inclusive que foi quem lhe deu o famoso apelido, pois muçum é um peixe de cor escura muito escorregadio com corpo cilíndrico bem parecido com cobra d’água.

          Após, digamos com educação, roubar a cena no programa de Otelo, Mussum foi convidado por Chico Anysio para participar da já famosa “Escolinha do professor Raimundo”.

          Se não foi o Chico foi o Lúcio Mauro quem lhe deu a dica de terminar algumas palavras com o seu charmoso ‘is’, como “tranquilis”e “sossegadis”.

          Nessa época os sócios Renato Aragão e Dedé Santana já faziam sucesso com “Os Trapalhões” e precisavam de mais um integrante para o grupo, já que o programa teria aumento de duração.

          Dizem que Dedé já era um grande amigo de Antônio Carlos e o convidou para fazer algumas esquetes.

          Modesto, Mussum, recusou a oferta no início, pois não acreditava mesmo que tivesse mesmo talento para o humorismo. Porém, bom de prosa, Dedé o convenceu.

           O sucesso de Mussum com Os Trapalhões foi tanto que o músico teve que pedir dispensa dos Originais do Samba para se dedicar integralmente ao humorismo.

          Mais tarde o grupo ficaria ainda mais completo com a entrada de Mauro Faccio Gonçalves, que interpretava o, para mim, inesquecível Zacarias.

          Os Trapalhões foram para a Globo em 1977, onde ficaram até o fim do programa em 1995.

          Lá o quarteto protagonizou um sucesso jamais visto anteriormente na televisão brasileira, cativando crianças e também adultos que se deliciavam com esquetes em que Mussum tentava tomar o seu “mé” sem pagar o dono do bar.

          Um dia perguntei ao Abdias do Nascimento a respeito do personagem do Mussum ali naquele quadro. E ele só me respondeu: “é mais um negro trabalhando, com talento e garra.”

          Quem como Ruth de Souza, Grande Otelo, Léa Silva, Milton Gonçalves, Babu, Mussum e tantos outros abriram caminho; jamais porderão ser julgados, mas agradecidos, homenageados com reverência.

          No cinema nacional também Os Trapalhões alcançaram um inigualável sucesso, com 14 filmes dentre as 30 maiores bilheterias da história.
          
          Com mais de 40 longa metragens, o quarteto marcou as férias escolares dos anos 70 e 80 com filmes que levavam multidões aos cinemas, grande parte como eu ia mais para ver os gracejos do Mussum.
         


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