Que tal fazer uma releitura da Pedagogia do Oprimido?

                 Há mais de meio século o livrro de Paulo Freire "A Pedagogia do Oprimido"  é uma das obras mais importantes para se pensar a Educação, nacional e internacionalmente falando. 

          A Pedagogia do Oprimido foi o livro que
mais marcaram o desenvolvimento da epistemologia crítica pedagógica no século 20.

            Comecei a leitura de Paulo Freire, na época do Curso de Filosofia na Pontificia Universidade de Campinas (PUCCAMP) e na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com Régis de Moraes, Luis Roberto Benedetti, Ruben Alvesm Roberto Romano, Plinio Marcos e o próprio Paulo Freire.

           Depois passei para a Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) onde o saber era, por causa do reitor Elias Boaventura, muito compartilhado. Embora aluno do jornalistmo, tinhamos completa interação com o pessoal da Educação. 

           Parece que Paulo Freire ia a tudo para o que era convidado. Lembro-me dele sentado numa mesa como examinador de um gaiato que estava defendendo uma tese contra as teorias do Paulo. Mas o Paulo Freire falava cientificamente como uma espécie de Suassuna com ideias bem concatenadas e palavras poeticamente justapostas. 



           Ninguém podia bajular Paulo Freire. Nem criticá-lo com ferocidade cruel por demais. Ele era sensivel, se ressentia de uma e de outra coisa. Mas nós liamos criticamente a Pedagogia do Oprimido. 

           As palavras tinham peso pesado para esse educador. Um dia na porta do DCE da Puccamp o hoje padre Paulo Roberto Rodrigues, informalmente chamou Paulo Freire de "querido". Rindo em suas barbonas Paulo riu e advertiu:

            "Perai, você não pode me chamar de querido se não me quer". Foi, claro, só risada.




            Mantivemos aquilo que o próprio Paulo Freire pedia, que não queria ser copiado, mas recriado e reinventado. Pois foi sim.

            A partir desta proposta libertadora surgiu então um importante questionamento: como podemos reinventar o conhecimento de Paulo Freire no país onde vivemos? 

            Uma das respostas poderia ser: relendo a criação dele no contexto social e educacional em que ensinamos e aprendemos. 

Isso nos coloca diante de problemas que nos apresentam o capitalismo, a tecnologia, a própria ciência e o mais importante a epistemologia educacional.

           Nos dias atuais passmos por um processo em que se apresentam grandes possibilidades e enormes desafios. No campo da epistemologia pedagógica muitas reformas educacionais confrontam as noções holísticas da educação com
os modelos tecnicistas baseados em elementos estritamente mercadológicos. 

           A pergunta principal é: o estado e a sociedade, criticamente, percebem esses desafios e buscam o equilíbrio entre os interesses individuais com os do bem comum?

          A proposta de releitura da Pedagogia do Oprimido no contexto da globalização e da lógica do mercado, pode apontar as saídas para o diálogo com os efeitos desse processo em que a epistemologia instrumental foi estabelecida preponderantemente como a única via na realização das reformas educacionais.

         Reler Pedagogia do Oprimido, em nosso contexto pode contribuir com a recriação e ressignificação dos objetivos das discussões que estão ocorrendo na educação
em geral. 

       A proposta de reinventar Paulo Freire não é coisa nova, porém, hoje reinventá-lo por meio de uma releitura epistemológica da Pedagogia do Oprimido, seria um acontecimento bastante inédito.

       Sem dúvidas com Pedagogia do Oprimido, Freire gerou uma imensa contribuição à educação libertadora. 

        Entre as suas principais contribuições, destacamos: a
concepção de uma educação como produção de conhecimento e não meramente como transmissão cultural acritica; ele recusou fortemente o autoritarismo e percebia que a ciência deveria resolver as necessidades dos oprimidos. 

      Sua epistemologia destacou a necessidade de teorizar a prática, da pesquisa participante e o reconhecimento da importância do saber popular.

0 Comentários