Sem mãe, sem pai, quando criança, muitas vezes me senti sem ninguém no mundo, até mesmo sem mim.


          Ao crescer um pouco mais descobri que minha melhor saída era não entrar. Agarrei-me à saída que todos têm quando não vêm saída. Agarrei-me terrivelmente, por isso, a essa minha velha mania de acreditar em dias melhores.

           Desde o pedaço de pão com manteiga na fila do orfanato com o copo de café com nescau que engolia, luto sempre até hoje pelo que me fascina.

           Visualizo o que desejo, apesar dos ventos contrários; se são ventos ou redemoinhos, pouco me importa. Eu os enfrentei sempre com alegria, voracidade e destemor.

            Insisto por aquilo que faz os meus olhos brilharem. Não aceito nada pela metade e sempre me foi possível transmutar horrorosos nãos em sins.

            Errei de viver só acatando o parecer dos outros, jogando pérolas aos porcos. Possuo o que de mais sagrado existe,  a inegociável dignidade humana.

            Estenda a mão, mas cuidado para não trocar de lugar com quem está lhe pedindo ajuda, algumas pessoas poderão puxá-lo para o abismo delas.

            Cai  feio, várias vezes, ao me relacionar com pessoas em situação de emoções em frangalhos. Alguém nessa hora precisa ficar inteiro antes de se relacionar novamente. "você não é centro de reabilitação", diziam os amigos ao olhar para minha cara de bonzinho contumaz.

           Ao ouvir alguém queixar-se do ex, me esqueci distraído  estivera ouvindo apenas a versão de um lado da história, e que era importante ser imparcial e pensar que existe outro lado que ali não tinha ninguém para contar.

         Perdi também várias vezes o zelo e respeito comigo, se algo me incomodava, eu deixava rolar, não expunha, segredava esse incômodo, que sempre evoluía ao ponto de me adoecer.

        Jamais banalizei nenhuma das minhas lágrimas choradas; chorei sentido, mas avaliei sempre, antes, se a causa merecia realmente o meu sentimento de dor.



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