O Google admitiu em julho de 2019  que analistas contratados pela empresa escutam 0,2% das conversas entre os usuários e o "Assistant", o assistente virtual da empresa.

              Analistas do mundo todo contratados pela empresa escutam uma parcela das interações entre os usuários e os equipamentos da marca.

                Frequentemente, empresas que oferecem esse tipo de serviço, como Amazon, Samsung e Apple, além do próprio Google, garantem que os diálogos entre os usuários e seus assistentes virtuais são privados, sendo analisados exclusivamente por sistemas de inteligência artificial.

                  No entanto, a admissão do Google joga luz sobre uma prática que as empresas evitam divulgar, embora seja conhecido dentro da indústria que, em menor ou maior medida, isto é algo habitual.

                A revelação foi feita pelo responsavél de produtos de buscas do Google, David Monsees, que escreveu uma postagem no blog oficial da empresa como resposta a uma matéria divulgada ontem pela emissora belga "VRT NWS", que disse ter conseguido acesso a cerca de mil gravações de indivíduos anônimos que usaram o assistente virtual.

                 Os áudios foram enviados à emissora belga por um dos analistas contratados pelo Google no país para analisar o material. A função dele, segundo a "VRT NWS", era "compreender as particularidades e os sotaques de cada idioma em específico".

               No texto, Monsees admite que a empresa conta com um "especialistas no mundo todo", cuja função é "ouvir e transcrever uma pequena parte dos diálogos para nos ajudar a compreender melhor esses idiomas".

              Os áudios escutados, segundo o Google, representam apenas 0,2% do total registrado pelos sistemas. A companhia ainda garante que os fragmentos não são associados às contas dos usuários e que pede que seus funcionários não transcrevam sons ou diálogos paralelos registrados pelo sistema no momento da interação com a assistente.

           No entanto, a emissora belga foi capaz de identificar endereços e outras informações sensíveis nos áudios, o que permitiu que os jornalistas entrassem em contato com as pessoas cuja voz havia sido gravada. Os usuários confirmaram que as gravações eram deles.

               "Um casal de Waasmunster reconheceu imediatamente a voz de seu filho", exemplificou a "VRT NWS" na matéria em que denunciou a violação da privacidade.

                O Google ainda afirmou que o assistente virtual só envia gravações após detectar que o usuário utilizou um comando específico para ativá-lo, como o "Hey Google". Além disso, a empresa assegura que o sistema dispõe de várias ferramentas para evitar "ativações falsas".

               Apesar disso, a "VRT NWS" publicou 153 conversas nas quais ninguém deu a ordem de ativação para o assistente virtual, que interpretou equivocadamente que os usuários haviam dado o comando para que houvesse interação entre eles.

              Entre outras coisas, a emissora belga afirmou ter ouvido nas gravações diálogos entre pais e filhos, ligações profissionais, discussões e até sons de pessoas fazendo sexo.

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