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           Lá vai o seminarista empolgado com a vida de futuro padre. Daqui para lá, de lá para cá, não se cansa por nada e de jeito nenhum. Onde tem alguém precisando ouvir falar de Deus lá está ele, chegando com sua voz macia e seu palavreado santo.

           Há seminaristas, e são muitos, que sonham só com uma coisa na vida, com aquele dia de reunir o seminário todo, os padres amigos dele diante do bispo ou dos bispos para então ordenar-se sacerdote para sempre.

           Ele quer celebrar missa, muitas missas, perdoar os pecados das pessoas aliviando dores e sofrimentos por onde andar. Suas mãos poderão pela fé católica trazer Jesus em pessoa à  terra, toda vez que, em assembleia cultual erguer o cálice da salvação e pronunciar as palavras de vida eterna  que ficaram nos evangelhos.

          Outro jovem, por outra opção de vida, esse estudante de jornalismo, vai também todo feliz e faceiro para a faculdade. Assinou todos os aplicativos e canais de jornalismo para saber como vencer na vida nessa fascinante profissão em que se ganha notoriedade, poder e bom salário.

         Sempre que pode ele visita uma rádio, um jornal, uma redação de tv, sempre de olho nas coberturas internacionais que  sempre faz um jornalista famoso como ele quer ser. Seu modelo não é nem o Edney Silvestre, a Glória Maria, a Cecília Malan, a Ilze Scamparini nada, mas os americanos, os europeus, os japoneses, todos que moram em suntuosas mansões, frequentam lautos banquetes com chefes de estado poderosos,  como se fossem mais artistas do show bussiness  do que propriamente operários da notícia.

         Difícil um padre que não tenha sonhado tanto como o seminarista dessa crônica. Difícil. Como difícil é um jornalista que durante a faculdade não tenha viajado tanto na maionese mundo afora.

         Como difícil é um lar em situação de violência, mágoa e violência que não tenha saído desse referencial de empolgação, paixão, onde tudo  era regado a caricias e palavras doces.

         Por que desistimos no meio do caminho? O que mudou do que não podia mudar? Algo pode ser melhor quando avançamos em alto mar queimando navios?

         Todos sonham  como um casal de namorados durante a paixão correspondida, durante a inocência da relação, em que a esperança faz o mundo girar com mais graça e a vida ter a cor que a gente pinta.

         Mas, por que num dado momento a curva nos assusta? E ficamos com medo da estrada? Paramos ali estupefatos numa confusão mental enorme, que não nos deixa discernir se está “cedo demais para retroceder ou tarde demais par avançar”, como dizia Napoleão Bonaparte.

        Por que somos assim? Damos tudo no começo de tudo e nos encolhemos, como se a escolha feita no passado viesse com prazo de validade. Como se a felicidade não pudesse estar em ver a cada passo do caminho a beleza que ele contém. Por que idosos olham para suas fotos e se renegam dizendo que um dia foram pessoas lindas?

        Quem não teria nenhuma beleza nessa terra? 

       Que fase da vida mereceria mais ou menos intensidade para que pudéssemos guardar a vida toda o sabor dos sonhos de um casal no inicio da conquista, do seminarista no seminário e do jornalista antes de ser um reconhecido correspondente de algo como a Rede Globo? O exemplo de aparente desdém de Mauro Naves, infelizmente está no ar.

       Cansei de ver gente batendo no RH da Globo para entrar e depois de contratado ficar se queixando de tudo, se lamentando como se tivesse feito a pior burrada. Até que o profissional, aturdido,  sai da Globo.

       Um mês depois, quando o salário fixo e certo não cai na conta, começa a romaria de novo, ele faz que nem os soldados de Israel no cerco de Jericó, dão mil voltasnos muros das ruas Lopes Quintas e Von Martius no Jardim Botânico em busca de recontratação.

        Ex padres, (não existe essa categoria de ex padre), todo mundo é ou não é padre, segundo a Ordem de Melquisedec, esse sacramento imprime caráter e um homem jamais deixa de ser padre só porque tirou a batina. Para o bem e para o mal ele é sacerdote para sempre, e como tal será julgado no juízo final.

        E os casais que num momento de crise olham com lente de aumento para os defeitos um do outro, exageram de uma forma que, a vida em comum, claro, vira um inferno, uma insuportável desgraça.  Salvo raras exceções em que a graça atua, o casal se separa.

        Depois da separação  a ilusão passa. A mulher infelizmente em geral fica por ai de mão em mão para amenizar a dor da solidão e carência de sexo. Cai na boca do povo e fica procurando outro, enquanto não encontra o homem certo vai se divertindo com os errados mesmo e os errados adorando se divertir com ela. 

       Talvez por isso haja tanta mulher que arrisca a própria vida em situação de violência doméstica, para além de proteger a família pelos filhos, ainda teme ficar mal falada.

        Ele então descobre  uma coisa horrível, o amor quase nunca está na rua, nem nos outros. O amor ou está dentro de nós ou não está em lugar algum. 

        A esposa somava, desde o supermercado até a pizza de fim de semana. A nova beldade vem que vem querendo só se divertir e nem se importa muito com o preço de nada. 

        Conforme ele paga ele tem. Até que começam a se reaproximar, constatando que não era tão ruim assim estar um ao lado do outro. Que seria mais fácil e barato pagarem uma terapia, buscarem ajuda na igreja, se unirem do que se desunirem.

        Do padre que virou ex não sei o que falar. Para ele é mais difícil ser perdoado, ao menos aqui na terra, pelos códigos do Direito Canônico. Mesmo caso é o profissional que deixa a Globo, pouquíssimos foram recebidos de volta. Voltar é sempre mais dispendioso, vai por mim. 

        Todos que voltam, voltam sempre por baixo. 

         Em tudo na vida parece ser assim. Só que às vezes o buraco poderá estar tão grande que o precipício ameaçava mais que sentar, chorar, se arrepender e....    o que mais é possível?


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