Três passos para escalar a montanha do autoperdão



      É preciso perdoar-se, para que então se consiga perdoar as pessoas, os acontecimentos, o passado para enfim descansar no amoroso perdão de Deus.


      Como padre que confessava muitas pessoas por dia, voltei muitas vezes bem triste para casa.

       Confessar os outros não é tarefa tão simples no mundo atual, em que pensamos como pensamos a respeito da relação entre Deus e os homens, e da interpretação humanista e até marxista que se faz hoje usando a ferramenta da exegese bíblica.   

        Nunca devo ter confessado ninguém sem que na hora da ministração do sacramento me colocasse no lugar daquela pessoa. Perguntava para mim mesmo se gostaria de ouvir o que eu tinha que dizer e se daquela forma iria ajudar mais ou atrapalhar.

        Só creio na felicidade, desde pequeno. Imagino que se eu pecador tão grande sou assim, creio nisso, imagine o Criador de todas as coisas que tudo fez apenas e tão somente por amor?

         Mas quando o assunto era confissão, havia implícito no medo um velho tabu. O padre ao confessar ocupa o lugar de Cristo, fala em nome de Deus e repete coisas impressas na doutrina moral da Igreja, no Direito Canônico e se sobrar espaço e tempo também aplica ensinamentos bíblicos. Sendo que muita coisa que quase tudo que a Igreja ensina vem da sua interpretação da Bíblia.

          Porém, dificuldade e sofrimento eu arranjava quando me deparava com alguma pessoa (maioria absoluta, pena) moralista, que não acreditava nada naquilo, nem praticava coisa nenhuma, mas na dita cuja hora de encontrar o padre vinha pedir perdão por coisas que se eu apertasse muito extrairia a verdade de que aquela criatura mal sabia o que estava fazendo ali e porque se acusava tanto por coisas que ela mesma gostaria de receber elogios e agradecimentos.

            Porém, ainda falta. Sabe quando surgia uma criatura inocente?  Daquelas que praticam e acreditam, que buscar a Deus de coração sincero e desejam crescer diante Dele? Essas tornavam a minha dor infinitamente maior.

             Sentia pena e quase me apavorava porque em geral essas pessoas eram (não sei se ainda são) escrupulosas e agiam de forma hiper severa consigo mesmas. Iam ali pedir o perdão de Deus via padre, mas elas mesmas quando caiam em tentação parecia que jamais perdoariam a si mesmas.

             Rolava um certo prazer de sofrer pela infinita impossibilidade de olhar para si e jogar a bola para frente. 
             Então, quando era possível (sempre foi) eu tentava indisciplinar aquela pessoa para o bem dela e da própria religião, com três coisas básicas para em primeiro perdoar-se a si mesma, justificando o perdão de Deus.


              1. O perdão Consigo Mesmo é Libertador
          Algumas vezes, a vida nos leva a situações nas quais não vemos e nem agimos com total clareza, ai simplesmente nos equivocamos. Nos colocamos à prova todo dia da vida para mostrar nossas emoções, para compartilhá-las, sofrê-las ou, pelo contrário, ou nem alimentá-las como se fossemos do espaço sideral.
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         O perdão seria uma liberação generosa das limitações auto impostas e dos padrões de conduta auto destrutivos que nos amarram ao passado de maneira doentia. Ele nos permite liberar a ira, o medo, a dor, o ressentimento e outros sentimentos negativos, abrindo o coração para a alegria, a paz e o amor.


                       

        Embora não seja fácil, não se deve permitir que o passado tenha tanto poder assim sobre a nossa vida atual. Temos que deixar ir a dor que sentimos e as amarras que nos impedem ser  plenamente o que somos. 
       
        Liberar o perdão pessoal é abraçar com toda gratidão o momento presente para construir uma nova história. Se perdoar significa abraçar fortemente a liberdade de recomeçar e de tentar de novo ser feliz.




          2  O Perdoar a Si Mesmo é Renascer

          Muitas vezes as decisões incertas, a falta de comunicação ou os momentos que se atropelam, acabam agindo como pontos de conflituosos dentro de nós, nos acompanhando vida afora e fazendo parte daquilo que pensamos de nós mesmos dali nos momentos mais importantes da alma. 

           Se essas sensações de mal estar e chateação não forem atacadas com toda generosidade pessoal de dentro para fora, corremos o risco de nos engessar, de contrairmos doenças emocionais como dificuldade de relacionamento, ansiedade, medo, culpa, vergonha e até depressão. 

           Saber pedir perdão a nós mesmos, admitir que somos nós que não nos perdoamos, é muito difícil, mas também é muito satisfatório a médio e longo prazo. 

           Recomeçar é preciso. Damos crédito à honestidade e à humildade, conceitos que contribuem para um máximo conhecimento pessoal, para uma ótima saúde emocional e um estado de felicidade interior. 

          Cada minuto de nossas vidas está definido pelas decisões que tomamos consciente ou inconscientemente. Elas podem mudar tudo: nossa carreira, nossas relações ou a nossa vida completa. 

          Mesmo quando não escolhemos, estamos decidindo. Infelizmente não existe nenhum manual para consultar e procurar a resposta correta, então, como tomar a boa decisão na hora H de nos perdoar a nós mesmos?

         Saber tomar boas decisões é um dos aprendizados mais importantes e mais complicados para qualquer pessoa. Isto porque, em qualquer situação na qual você tenha que tomar uma decisão, podem surgir grandes consequências no futuro, mesmo quando você já não se lembrar ou achar que aquilo não tem importância. Por isso, é vital usar alguma metodologia que permita escolher de forma rápida e eficiente.
         Porém, o futuro está determinado por pequenas decisões. Costumamos pensar que nossa vida é definida pelas grandes decisões que tomamos. Decisões como, por exemplo, quando pensamos que se nos casarmos com a pessoa que parece ser o amor da nossa vida seremos felizes. Entretanto, ela ou ele pode ser uma  parceria violenta  e você não tinha atentado para isto; pode ter problemas de caráter como ficar fuçando seu celular etc. 

        Tudo vai bem, até que um dia esse alguém lhe faz sentir que é superior a você. Esse é um momento que pode definir o resto da sua relação e vida de casal. Você pode escolher não fazer nada e dar o primeiro passo rumo a uma relação onde reine o despeito, a ameça, a violência, ou explicar-lhe que você não vai aceitar esse comportamento.

       Como você pode perceber, você deve deixar de lado os seus sentimentos, ideias preconcebidas e tomar a decisão de como vai continuar. 

       Uma vez que você começa a eliminar o que não lhe ajuda a decidir, você passa a ser bem mais livre para escolher.

       Mas o que acontece quando devemos perdoar a nós mesmos? Não nos dirigirmos a outras pessoas muda completamente a situação. Precisamos lidar conosco mesmos. Trata-se de um fabuloso mas difícil diálogo com nossa alma.


                                        
   4. De que emoções vieram a sua queixa? 

       Procure identificar as emoções que originaram o sentimento: Podemos nos enganar muitas vezes, mas se pararmos para refletir, mesmo que por apenas cinco minutos, perceberemos que certas emoções são responsáveis pela culpa: medo, insegurança, inveja, etc. 

      É preciso desenhar todo o roteiro para chegar até o motivo do nosso comportamento. Sem a realização correta desse passo, será impossível conseguir o perdão.

      Assumir responsabilidades: Ter consciência de que nossos atos acarretam consequências é de vital importância. Nos responsabilizar pelas nossas ações e pelos nossos erros implica um enorme esforço de nossa parte. 

      Desperta nossa maturidade e nos faz fortes diante da realidade. Obtemos satisfações ao transcender esse difícil ponto.

     Saber perdoar a si mesmo: O momento apareceu e é preciso enfrentá-lo. 

     Nos apoiando nos resultados dos pontos citados anteriormente, devemos nos dar a oportunidade de ser o que realmente somos; de aceitar que convivemos com medos, inseguranças e emoções que modificam, de certa forma, nossos caminhos. 

      De entender que é permitido erra, que é permitido falhar. Aprender com a experiência vivida anteriormente é o que devemos fazer, para que, assim, nossa alma conviva com essas sensações e saibamos manejá-las corretamente.

      Estas ideias simples podem nos ajudar e servir como um guia inicial para viver com a culpa e a falta de perdão. 

      Se, pouco a pouco, vamos deixando a alma se inundar de todos esses tipos de difíceis sensações, com o passar do tempo, elas se tornarão “problemas” com solução e com resposta.


      A vida vai se encarregar de nos proporcionar novas situações, ou situações já vividas anteriormente. 

      Quando isso acontecer, nosso “eu” saberá como reagir de modo saudável e natural, repercutindo positivamente em nosso estado emocional. 

                                                 


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