Patrimônio do esporte brasileiro, seu nome é Miraildes Maciel Mota, mas alguém a chamou de Formiga e assim está até que ela se chateie. Talvez, quem sabe?
                                            


           Fato é que, onde tem Deus e Formiga, nada falta. Mesmo sem Marta, a idealista seleção brasileira venceu a Jamaica por 3 a 0, e melhor, em plena estreia no Mundial, tapando a boca dos comentaristas.

            A disputa aconteceu no domingo, 10 de junho de 2019 em Grenoble, na estreia no grupo C pela Copa do Mundo França 2019.

            Aos 15 minutos, a seleção abriu o placar com Cristiane, de cabeça. No segundo tempo, nossa atacante marcou mais duas vezes, incluindo um golaço de falta, e chegou a seu décimo gol em Mundiais. Outra que também fez história é a volante Formiga. Aos 41 anos, ela se tornou a única jogadora entre masculino e feminino a disputar sete Copas.

          Formiga é a grande recordista do futebol em todas as modalidades.  Bater recordes virou rotina em sua carreira. 

         Trata-se da brasileira que mais competiu em Olimpíadas participando de todas as edições desde que a modalidade feminina foi incluída no programa dos Jogos.

         Formiga é quem diz: “Nunca fui de planejar as coisas nem poderia imaginar que viveria esse momento”, disse a volante baiana após a vitória contra as jamaicanas. “Fico feliz de ainda estar em campo ajudando o futebol feminino.”

                                                    


       Formiga detém o título de jogadora mais velha a marcar um gol em Copas e da que mais vestiu a camisa da seleção, com 187 jogos no currículo.

       Percebe-se que ela é merece o apelido que tem. Formiga é o antidoto da cigarra que passa o verão cantando e depois não tem como se sustentar no inverno. Essa não sabe que tem hora para tudo e aproveitou para abastecer a casa enquanto o mau tempo não chega.

        Por sua representatividade, nem precisaria levantar a bandeira do esporte. Afinal, estar em campo por mais de duas décadas numa modalidade pouco valorizada no país significa ser a própria bandeira. Mas, negativo.

        Formiga é uma das atletas mais ativas na busca por reconhecimento às mulheres. Seu estilo de jogo é eficiente e discreto, assim como sua personalidade. Porém, é na grandeza das atitudes que ela se destaca. 

       No fim de 2016, havia anunciado a aposentadoria da seleção. Engrossou o manifesto de atletas contra a demissão da treinadora Emily Lima, no ano seguinte, ressaltando sempre a necessidade de trabalhos e investimentos duradouros para garantir a renovação da equipe.

          Formiga sempre diz que evitar gols e desarmar adversárias é mais importante que qualquer prêmio. Sua maior obsessão é conquistar um grande título com a seleção para materializar seu legado que, hoje, transcende o parâmetro de feitos e troféus.

        Escrevo sobre ela emocionado e lacrimejante. Quem luta merece vitória. Maraildes, essa mulher negra muito linda, luta com garra dentro e fora do campo. Ela é inspiração. E isso basta: “Só vou ter noção do que eu represento pro futebol feminino depois de parar”, diz, convicta de que irá disputar pelo menos mais uma Olimpíada, no ano que vem. Por mim vai mesmo, estou rezando no milho.

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