O dia dos namorados me faz lembrar a infância querida em que o romantismo estava acima da lei.

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        Lá na terra dos poetas onde fui criado. Lá os homens por costume abriam a porta do carro para as mulheres na porta da igreja. 

          Pense que era feio não, elas mesmas já ficavam sentadas patronas até que o dito cujo fosse lá, com cujo ou com sol, abrisse a porta e ai sim ela começa a pensar em decidir se iria devagar ou se iria em câmera lenta. De todo jeito o galante mantinha calma  total.

        Lá também todo homem que se prezasse conseguia balbuciar alguns  versos inéditos  que saiam até com rimas de quando em vez. Inéditos pero no mucho. Hoje com o Google em punho ficou mais difícil para aqueles impostores trancados dizerem que escreveram o que não escreveram. 

       Mas ao menos a coração de anotar, decorar, mentir e declamar com uma rosa vermelha já fazia desse romântico delituoso um reconhecido encantador de mulheres que suspiravam até pela ponta do seu nariz.
   
        Minha terra é romântica até hoje e se autoproclama na própria bandeira PAULISTA POR MERCÊ DE DEUS. 

       Por lá o poeta vale alguma coisa e tem direito a um lugar no mundo, ao ponto de o atual presidente da Câmara Municipal, Flávio Carvalho, ser um cantor e cantor popular ao estilo e contemporaneidade com Fábio Jr.

      Sei ser feliz falando de amor até hoje por causa da nossa terra, a TERRA DOS POETAS, que, de começo era das capivaras, mas foi tomada de assalto por aqueles homens e mulheres estranhíssimo que gostam de anotar tudo que sentem para compartilhar em troca da emoção alheia.

       De mim mesmo lembro-me virar romântico na escola, quando aos 9 anos pedi a professora em namoro. E ela topou. Namoramos quase dois minutos até ela perceber que eu não estava tão de brincadeira como parecia.

       Aprendi a ser romântico quando aprendi a me enternecer com a voz, olhar a menina nos olhos, apreciar o seu perfume e cabelos e a pronunciar a palavra amor. 

    Desde que me conheço por gente tenho pessoas que viveram do romantismo para ganhar a vida. Fred Jorge foi meu mestre.  Tiete, o município dele, do Cornélio Pires e do Michel Temer fica a uns 30 km de Capivari, numa estrada ótima e asfaltada desde sempre. 

     No meio do caminho ficava a agradável fazenda da família da Ivone Paes, a loira mais linda de Rafard, da escola, da minha infância e adolescência. E por perto dela a terra dos Canavezes, onde reinava Mariana e sua irmãs.  

     Eu não tinha tamanho nem condições mas adorava a Ivone de infinita paixão, de arrepio impressionante que a gente era grudado. Ivone tornava tudo muito mais bonito para mim e eu me desdobrava para ajudá-la no que pudesse a me fazer merecer todo o encantamento. E acho que até hoje ainda somos e como somos! Romance platônico não tem morte, só vida.

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