É nesse momento que a espiritualidade pode mudar nossa perspectiva, permitindo-nos continuar dando graças, apesar dos desafios.

                                                                





            Quem saberia dar graças num momento em que as coisas não estiverem como nós queremos ou como pedimos a Deus, ao universo ou a nós mesmos?

             É com o espírito de gratidão que se reconhece a soberania do amor. Agradecer nos faz olhar além das circunstâncias!

              São Paulo está dizendo assim em 1Ts 5.16-18: “Em tudo dai graças”, e não: “Por tudo dai graças”.  Já mediu a grande diferença  existe entre uma e outra frase?

        Há muitas pessoas que confundem gratidão “em tudo” com gratidão “por tudo”. 

         Por isso passam a maior parte da vida frustradas por não saberem interpretar com sabedoria as situações que enfrentam.

                                     


         Dar graças “por tudo”, seja bom ou ruim, que por ventura venha a nos acontecer é creditar, depositar esse “por tudo” na conta de Deus.
“Em tudo”, Deus intervém, como forma de proporcionar livramentos e crescimento em nossas vidas.
Deus não exige de nós aquilo que ele sabe que nós não somos capazes de fazer. Por isso, através do apóstolo, ele exortou: “Em tudo dai graças”.
Dar graças “em tudo” é reconhecer, em meio a quaisquer circunstâncias, que há um propósito e haverá um recurso.
No em tudo podemos até dar graças pela vida mesmo quando não estamos bem. Mas quando consideramos que seja por tudo que devemos dar graças,  subjugamos a eternidade da vida à brevidade das circunstâncias. Como se quiséssemos fazer o menor conter o maior, o finito conter infinito, o temporal o eternal, o tempo nunca está contido no instante.
A gratidão consciente do “em tudo dai graças” nos faz apreciar o que temos, em vez de lamentar o que nos falta
Podemos respirar alguma energia positiva e até ver alguma beleza numa situação de doença, sofrimento ou o mal?
Como é possível evitar o desânimo e agradecer, apesar das provações da vida?
Pesquisas na área de Psicologia mostram que a prática da gratidão pode levar ao crescimento pessoal.
No entanto, as pesquisas raramente falam de gratidão em meio ao sofrimento. A gratidão e o sofrimento muitas vezes parecem contraditórios. Mas são complementares.

A fé permitiu que Etty Hillesum, uma vítima do holocausto judeu holandês, dissesse, mesmo enquanto estava sendo deportada para Auschwitz: “E, no entanto, esta vida parece bela e cheia de significado”.

Em seu livro Puissance de la gratitude. Vers la vraie joie (“O poder da gratidão: em direção à verdadeira alegria”), Pascal Ide ressalta que, em termos psicológicos, a capacidade de extrair lições positivas do fracasso e da adversidade é chamada de reavaliação positiva. O sofrimento altera nosso campo de consciência e nos faz enfocar a dor que suportamos. A escolha de mudar nossa perspectiva pode nos permitir encontrar razões para gratidão, mesmo em situações difíceis.

Às vezes até mesmo em situações dolorosas como doença grave ou perda de um ente querido, podemos descobrir os frutos do sofrimento: uma mensagem de esperança que atinge milhares de pessoas, ou o fortalecimento dos laços familiares.

Pascal Ide convida-nos a fazer desta perspectiva positiva um hábito virtuoso, assim como o neuropsiquiatra David Servan-Schreiber, que sofria de câncer cerebral: “Minha receita para a manutenção de uma reserva de otimismo é se concentrar no que está funcionando bem. Todos os dias, eu reviso todas as coisas, grandes e pequenas, que foram agradáveis, que me deram prazer, alegria ou apenas diversão, e eu sinto gratidão. Eu cultivo meu sentimento de gratidão conscientemente”.

Considere os bens como dons

Uma família, uma casa, boa saúde, água que vem da torneira, frutas e legumes, amor, amigos… Podemos nos acostumar com tudo e, às vezes, esquecer de valorizar nossos dons. Muitas vezes não reconhecemos o que temos até que aquilo desapareça. Vamos ser gratos, vamos aprender a dar graças e nos surpreender com esses dons, em vez de agir como crianças mimadas.

“Alegria no que consideramos nossos bens: família, lar, boa saúde, faz-nos apreciar a vida”, observa Philip Watkins, pesquisador da Eastern Washington University. “Essa gratidão consciente nos faz apreciar o que temos, em vez de lamentar o que nos falta”.

Vivendo com esperança
Philippe Baud, fundador de um Centro de Estudos Católicos em Lausanne, Suíça, escreve sobre Etty Hillesum, uma vítima do Holocausto, cujas cartas e diários foram publicados postumamente:

“A coisa extraordinária sobre Etty Hillesum é sua capacidade de ver toda sua vida como um dom: tudo o que acontece com ela tem um significado, é um presente. Não é que ela não queira ver o mal, mas o vê de maneira diferente. No meio do arame farpado, ele escreve: “nas profundezas do meu coração ainda vivo o sol dos dias de verão na grama e o campo de tremoços amarelos que se estendem até a cabana.”

Cheia de alegria por sua percepção do invisível, ela se torna radiante à vista dos outros. Ela incorpora uma forma de esperança que a faz ver a essência do Reino, se não a sua realização. A situação de Etty Hillesum é limite, mas ela vive a esperança. Ela vive no presente e aceita-o como um dom, estando ao mesmo tempo plenamente consciente da situação histórica a que está sujeita.

A esperança é acreditar que nem tudo está perdido quando, de uma perspectiva humana, uma situação parece desesperadora. A esperança está além da ação, dura quando não há mais nada que possamos fazer. Etty Hillesum reconhece sua impotência, mas acredita em uma saída invisível, apesar das aparências. A esperança se estende onde a eternidade é sentida.

Mostrar gratidão é dar amor ao amor. É amar a Deus, o supremo doador de todas as coisas, e esperar pela vida eterna, o dom supremo que Ele oferece a cada um de nós.

0 Comentários