Acredito que compartilhando esse case modesto de influência do terapeuta, posso contribuir com outros que pretendem ou já exercem a profissão.

          O fato de estarmos nesse módulo estudando sobre o poder influenciador do Constelador me põe frente a frente com a realidade em que estou vivendo nesse exato momento aqui no interior do Tocantins.

         Espero que o tom testemunhal não subtraia de meu  esforço o desejo de demonstrar o rico aproveitamento que tenho tido deste curso dinâmico de Constelação.

         Considerando que desde menino sou uma pessoa voltada para as outras pessoas, profissionalmente cumpri minha vida ativa como 

jornalista e agora retornei para as terapias onde há gente cuidando de gente.

         Sai do Rio de Janeiro e vim para o Tocantins. Aqui abri uma clinica de atendimento psicanalítico e iniciei esses estudos de Constelação Familiar.

         Quase tudo no conteúdo do curso até agora (módulo 4) tem tido o dobro de utilidade para minha própria vida que para aplicar nas pessoas. “Cada pessoa sempre é as marcas das lições diárias de umas tantas pessoas”, já escreveu o poeta Gonzaguinha em 1979.

          Superar marcas do passado que ficaram impressas na alma, na mente e no corpo com as técnicas fenomenológicas da Constelação é um caminho eficaz e eficiente. Trata-se de  uma solução que realmente se perpetua incorporando-se à personalidade, ao caráter, forjando um novo ser no velho ser que advém de uma história de dores e sofrimentos.
   
            Fui contatado para dar consultoria a um escritório de contabilidade, de cuja experiência vou me valer para dar conta da missão no módulo 4.

            Vou me posicionar como o influenciador que fui e acenar de como usei muitos elementos cruciais para o bem,  de tudo que aprendi aqui nesse curso.

            O gestor do referido escritório buscava alguém que desse jeito no descontrole por desarmonia da sua equipe. Isso comprometia a felicidade ali no ambiente de trabalho e também, claro, o resultado ínfimo da empresa em termos de atendimento ao cliente e convergência das atividades multitarefas.

             Se não tivesse estudado temas como a estrutura familiar, a energia, as encarnações, o desapego, a inversão de papéis, a justaposição dos papéis, a disputado por espaço, o amor, a hierarquia, a relação de pertencimento, do perdão entre muitas outras que Bert Hellinger nos ensinou.

            A equipe é formada por ele, o proprietário e gestor, auxiliado por mais cinco funcionários. São quatro mulheres e dois homens com ele, total de seis pessoas.

            Empreendedor e de alta performance visionária, ele, ainda jovem, planejou buscar um crescimento no mercado tanto em qualidade na prestação de serviço quanto em quantidade e resultado final no faturamento.

           Ele sabia que para chegar onde almeja precisa muito de manter a equipe coesa e satisfeita. Pediu-me para detectar os motivos que não o deixam ir além.

           Sua pior queixa é o incomodo deveras inconveniente pelo fato de seus clientes reclamarem muito da forma grosseira e quase desinteressada com que seus funcionários respondem a perguntas deles ou os atendem ao telefone ou por aplicativo de mensagem.

          Só que ele não sabia por onde começar e por sorte encontrou-se comigo, que estava preparado com o que até agora aprendi na vida, e de forma especial aqui na Constelação Familiar.

          Resolvi atender as pessoas uma a uma. O primeiro foi um moço solteiro que mora com os pais, extremamente preparado como bacharel em contabilidade mas extremamente tímido, vazio, deselegante, obeso, sedentário, que nunca namorou nem mulher nem homem, vive debaixo de criticas e humilhações do pai e da mãe, sofreu muito bulling na escola mas finge que nunca ligou. 

          É praticamente um personagem, não uma pessoa.  Extremamente legalista tenta ameaçar os clientes com o excessivo zelo pelos prazos de pagamentos de impostos, escrituração e letras cruéis da Lei desse Governo que oprime quem produz nesse País. 
Imagino o que seria depender dele para ser feliz como empresário. Ele não orienta, expele o seu mau humor, legalismo e medo da vida, ameaçando como que parecendo um autoproclamado emissário do Governo quase contra aqueles que o ajudam a pagar as suas contas.

           Não sente que tem nenhum compromisso com apresentar-se simpático, ser empático, ou tentar alguma conexão emocional que possa facilitar alguma coisa no quesito encantar o cliente para que ele não vá embora.

            Tudo para ele é na base do  “não deu valor, vou-me embora, acho outro patrão, sou assim mesmo; o cliente do escritório não é meu cliente”.

             Sente-se o bom no que faz, até, quem sabe para compensar o tanto de consciência de se sentir um ser mau amante e mau amado, que não se arrisca e não se dá.

             Maluco seja esse gestor que o contratou e ainda o coloca para falar com pessoas.  Mas deu certo, ele, em apenas uma entrevista de três horas pegou o fio da meada e percebeu que alguém estava interessado por ele e resolveu mudar de vida. Passou a sorrir mais, se amar mais e a buscar uma beleza daquelas que sempre está latente em toda pessoa humana.

              A outra pessoa é uma jovem que contraiu depressão com seus mínimos sete anos de idade, durante a fase de separação dos pais. Ele passou praticamente a adolescência inteira dopada com medicamentos fortes e a procura de si mesma.

            Pelos dez anos entrou no movimento hiper moralista chamado Caminho do Neocatecumenato da Igreja Católica junto com a mãe.

            Trata-se de um braço ativo da Opus Dei, extremamente conservadora e tradicionalista. Ela cresceu moralista, cheias de crenças limitantes como mulher e desafiada pela má sorte de estar do lado da mãe que não podia fazer sexo por ser separada e abraçar uma religião onde a única coisa que se leva a sério é esfregar na cara dos outros a obrigatoriedade da indissolubilidade do matrimônio.

           O irmão dela, temendo não haver quem lave suas cuecas e faça comida em casa, aliou-se à mãe professora na rede pública e empregadinha dele.

            Resultado, ela peita a mãe à vera mesmo. Faz o que dá na cabeça e não se cansa de confrontar-se com a genitora infeliz e judiada por preconceitos e que ela chama de conceitos religiosos, o que por medo do inferno ela trata de preceitos.

           A menina contorna a depressão como dá, mas sofre muito na vida. Tem tombos horríveis de recaída e está sempre com amuletos para tocar em frente. Mas é perfeita em ética e moral, boa funcionária, interessada no contexto geral da empresa, eivada de gratidão e amor pelo contratante, ao qual tem na mais alta estima.

          O gestor, patrão e empreendedor também dá a sua triste contribuição para sua empresa estar devendo algo a si mesma. 

           Costuma dar uma de chefe bravo, fala palavrões até sem querer em voz alta, esculhamba, cobra, desanima a equipe. Mostra-se intempestivo e agride a si mesmo em primeiro lugar.

           Olhando para ele é um homem bondoso, cordato, guerreiro, sempre ameno e tranquilo. Mas no trabalho todos se queixavam dele.

           Embora com um certo espanto dele, o inclui no processo do meio para o fim. E ele entrou de boa vontade ao perceber que parcela do seu fracasso ele deve a si mesmo.

          Aos seis anos de idade, nosso gestor teve a má sorte de encontrar a mãe suicida, morta em casa. Só ele e ela.

          Fiz com ele o que sei de constelação usando bonecos e ele se viu em cena, perdoando a mãe e perdoando a si mesmo pela razão de não ter conseguido evitar a tragédia, mesmo não tendo forças físicas nem psicológicas para tanto na época.

          Promovi depois disso tudo um encontro dos 3 um dia inteiro com dinâmica e apliquei técnicas psicanalíticas e o que consegui de Constelação.

          Constelei usando a técnica de dramatização tendo convidado seus familiares todos e mais cinco representantes que participam de um grupo de teatro da paróquia que eles frequentam.

        Deu certo. Hoje ele, em menos de trinta dias já possui  nove novos clientes, sendo que seis foram trazidos pela própria equipe que em mais de dez anos nunca havia feito uma venda. Implantaram regime de revisão conjunta e planejamento de ações comuns e o gestor trata todo mundo com o respeito que se deve.

        A autoestima voltou a reinar por ali, trazendo seu primo respeito para ocupar seu espaço.

        De forma que ainda vamos descobrir tudo o mais que a Constelação pode fazer pelo ser humano. Como a Constelação tem cientificamente tudo bem sistematizado mas tecnicamente não engessa o terapeuta, agi como deu e pude fazer mais uma empresa com algumas pessoas felizes.

       De quebra, que ninguém é de ferro, também melhorei o faturamento com as demandas desse tipo de prestação de serviço terapêutico aqui na Cidade. Acredito que influenciei sobremaneira na vida da empresa, dos envolvidos e de seus clientes que sairão mais satisfeitos.


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