Aos que não escolhem o próprio destino, qualquer caminho encanta. Segredos inconfessíveis de uma psiquê ( no grego psykhé - leia-se alma) fazem a festa quando uma pessoa perde seu  referencial.
 



                O inconsciente é responsável por arquivar pensamentos socialmente aceitos,  ocultar e guardar pensamentos perturbadores que dão origem a reações de medo, ansiedade, sofrimento, vergonha, culpa, etc;  ele guarda itens da memória para otimizar o espaço do cérebro, zela pelo nosso repertório racional e lógico e pelas informações acessíveis em nossas mudanças imediatas. Adentrar o nível da inconsciência é feito mergulhar nos três oceânos ao mesmo tempo.
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         Quatro homens costumam ir pescar juntos varias vezes ao ano há muitos anos.

         Na última vez, Acho que neste ano mesmo, a mulher do Zé rodou a cara e bateu o pé dizendo que ele não ia.

         Note bem: não ia.

         O moçoiolo grisalho mal acostumado ficou Profundamente desapontado, e, em seguida, desconsolado ou inconsolável.

          Zé muito mimado começou a se bater que nem siri na panela.

          Como aquele antigo menino contrariado pela mãe, em tom lúgubre ele telefonou e contou aos companheiros todos, aos quais me incluo, que não poderia ir.

          Alguns dias depois, num depois insurdecedor para quem não sabia como iria responder às queixas do reprimido marido obediente com desejos internos de desobediência.

          Zé acabou ameaçando virar ameaçador, tipo “se eu não for ninguém vai” ( aff não tem. Ideia de como esse s dizeres invadem os ouvidos da gente quando vai saciar um desejo de infância)) O malditoso estava com o coiso no corpo. Ele dizia cada coisa horrorosamente pronunciadas.

                                            

        “Eu vou acabar com a minha vida, vocês vão parar tudo lá e vir para o meu velório ( p olhava de soslaio para o pé de couve plantado pela sofra, veia tipicamente cara pintada que tinha meio feições de pálida e de bem debochada.

         Eu fui correndo lá, vi tudo e anotei para merecer esse adorável título de escriba dos outros que só chegaram ao local  bem mais tarde.

         Bravatas a parte lá fomos nós, Zé, a mulher dele e eu estrada afora noite adentro; pois não duvide que chegamos no acampamento rápidamente e não havia ninguém lá ainda.

        Muito tarde os outros chegaram também já cansados e inebriados pelo sono e pelas biribas que vieram tomando pelo caminho, numa boa. 

        Foram rindo do Zé e de mim, mas, muito surpresos, ao adentrarem o caminozinho da entrada do acampamento escutaram uns gemidos, umas coisas dignas de não repetir, mas lá no escuro  imaginaram e tinham razão, era o Zé fazendo saliência ao ar livre com a esposa, que, naquela noite cumpria o dever de encantar o marido e assustar os amigos dele. Os xeretos contam tudo até hoje com riquza de detalhes. De sacanagem quem não gosta já morreu. 

       Sim, ela fez de tudo e tudo que queria ali debaixo das estrelas ao som das águas do rio, dividindo espaço com algumas cobras e jacarés que descansavam para o dia vindouro. Mas na boca da madrugada, aquela repetina leoa foi-se embora toda faceita, sendo levada numa camionete linda, diferente, enorme, acompanhada de dois homens que ela contratara muito antes das cenas do vai não vai com o Zé.

       Zé passou o dia descansando as cordas vocais, cabisbaixo, sem autoridade, sonolento e até quase maldizendo a pescaria.

        Pela hora do almoço, fingindo surpresa, bastante rindo meio solidário, um deles não aguentou:

        - Zé  como você conseguiu convencer a "patroa" a deixá-lo vir?

       - Bem, esses dias, quando terminou de ler "Cinquenta Tons de Cinza", minha mulher me arrastou pro quarto, contou seus fetiches e eu a deixei feliz ao ponto de merecer fazê-la mudar de ideia.

       Na cama, havia algemas e cordas! Ela me mandou algemá-la e amarrá-la à cama e depois disse: "Agora faça tudo que quiser...".

       Eu a obriguei a vir conosco até aqui. Ao chegar, ela me algemou também e disse:

        - “agora sou eu que vou fazer tudo que quero.”

        - “ A seguir, ouvi o som de uma camionete chegando e ela saiu rindo como quem deixa para rir por último para ter o prazer de rir melhor.

        Ainda bem que fomos em três. Ouvindo os berros dele, após averguar a camionete e todo o ocorrido pelo magistralmente planejado por ela talvez no insconciente,  corri até o matagal, apanhei as chaves no chão e libertei o moleque assanhado que berrava feito, ah deixa pra lá....    quem com ferro fere com ferro será ferido.

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