O respeito ao espaço de cada um é outro aspecto fundamental para o sucesso de um relacionamento, segundo Bert Hellinger, fundador da Constelação Familiar Sistêmica, um dos métodos fenomenológicos mais eficazes da humanidade.
Para amar é preciso aceitar duas solidões: a sua própria e a do outro. “Numa relação deve haver respeito por segredos. É ridículo querer que se conte tudo ao outro, não acha? Não se pode agir como um intruso na alma da outra pessoa, mesmo que o relacionamento seja duradouro”, diz Bert. Além do amor e da disponibilidade para a convivência, Hellinger cita o sexo como o terceiro elemento essencial na relação de um casal. “É a base de tudo. Você não sente amor, vocês não vão ficar juntos, é somente sexo. Não tenho nada contra, mas, quando o amor também atua, as pessoas são capazes de ficar juntas e partilhar uma vida comum, o que é algo bastante diferente”. Os primeiros laços de amor são atados na família, que é uma grande alma comum. Essa consciência coletiva comum é transmitida por sucessivas gerações, em uma corrente de influências, incluindo experiências dolorosas vivenciadas pelo grupo.
Mesmo tendo construído uma teoria estabelecendo determinadas leis comuns a todos os relacionamentos, Bert Hellinger define sua terapia como empírica, isto é, baseada na observação e na experiência. Ele diz não ter um diagnóstico global ou uma fórmula mágica para fazer com que o amor dê certo. Essa é a base da terapia das constelações familiares, resultado da experiência e da observação de Hellinger em seu trabalho de atendimento individual e a casais e outros grupos durante mais de três décadas. O trabalho não é focado em questões psicológicas, mas nos padrões de comportamento gerados em determinado sistema familiar, pois há uma ordem do amor que favorece o fluxo afetivo harmonioso. A reverência essencial é cultivar reconhecimento e gratidão aos pais, antepassados e parceiros anteriores, isto é fundamental para que o amor do presente dê certo. A ideia de “sistema” (casal familiar ou outro agrupamento) tem sua origem nas reflexões do estruturalismo, do início do século XX. Um mais um é mais que dois: a junção de elementos transforma a individualidade dos membros. Um grupo tem uma existência própria, que não é a mera justaposição de indivíduos. O relacionamento altera a forma de ser, pensar e agir dos indivíduos.

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