Genice chorou cada vez que vimos o drama e repetiu falas. Por isso, ao final desse post, deixo umas falas em Português do roteiro, para que os amantes do cinema, ou para aqueles que apenas porventura gostarem de ver na tela e analisar o que seja intencional de tudo que se possa estar vendo até do que não esteja sendo mostrado. “O Menino que Descobriu o Vento” é uma produção dramática emocionante da Netflix 2019 retratando a triste vida num lugar da África em que acabou água, a subsistência ficou impraticável e o povo acabou num estado avassalador. Com majestosa direção de Chiwetel Ejiofor. Baseado numa heroica história real. Inspirado por um livro de ciências, um garoto constrói uma turbina eólica para salvar seu vilarejo da fome. De uma lista de 189 países, o africano Malawi está no 171º lugar em desenvolvimento humano, segundo o Índice editado em 2018 pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud). Ali nasceu Kamkwamba, em 1987, menino curioso, afável, muito bem criado pelos pais, cuja vida nunca foi fácil. Como se pode imaginar, num país com baixa expectativa de vida, alta mortalidade infantil, Kamkwamba já podia se sentir um vitorioso aos 6 anos por conseguir ter à mesa, diariamente, a nsima (que se pronuncia sima), um bolo feito à base de fubá e água quente, ao qual se acrescentam molhos variados (mostardas, feijões, folhas verdes), dependendo do que se tenha na despensa.
Em 2011, quando o livro “O menino que descobriu o vento” foi lançado no Brasil pela Ed. Objetiva já ocupava a lista dos mais vendidos no jornal “The New York Times”. Li o livro e me encantei pela história do menino que conseguiu, depois de frequentar clandestinamente a biblioteca da escola que o expulsara por falta de pagamento (US$ 80 anuais), com ajuda do livro “Using Energy”, fazer um moinho de vento que acionou uma bomba para captar água do solo ressequido da região onde morava. A engenhoca permitiu que o pai de Kamkwamba, junto com toda a família, conseguisse romper uma violenta seca pós inundação que submetia os moradores de Malawi à fome e miséria sem nenhuma ajuda do governo. O jovem tinha 14 anos e fez um moinho de cinco metros de altura utilizando uma bicicleta quebrada, uma pá de ventilador de trator, um velho amortecedor e árvores de eucalipto azuis. Depois de ligar o moinho de vento a uma bateria de carro para armazenamento, William foi capaz de alimentar quatro lâmpadas e carregar os telefones celulares dos vizinhos. Este sistema foi ainda equipado com interruptores de luz caseiros e um disjuntor feito de pregos, fios e ímãs. O moinho foi posteriormente estendido: passou a ter doze metros para melhor captar o vento acima das árvores. Um terceiro moinho bombeava água para irrigação. Numa entrevista à revista do colégio Dartmouth , Kamkwamba disse que tudo o que queria era conseguir estudar para “resolver alguns dos problemas que o meu povo enfrenta": “Estou sempre pensando é em como eu posso aplicar o que estou aprendendo aqui para ajudar aqueles em casa", disse Kamkwamba. Já naquela época, com o adiantamento que recebera pelo livro, ele tinha construído um poço em águas profundas com uma bomba movida a energia solar que toda a sua aldeia pode acessar e abrira uma fábrica de moagem de milho. William criou ainda uma associação sem fins lucrativos com a qual conseguiu patrocinar um time de futebol para a sua aldeia, o que praticamente acabou com os problemas de jovens que já estavam entrando em vícios. A história de Kamkwamba é inspiradora sob diversos pontos de vista. O filme mostra, de forma contundente, a miséria de um povo que vive sobre um solo riquíssimo. E convida a refletir, “um pensamento produtivo, ousado e inovador. Um pensamento que não resulte da repetição de lugares comuns, de fórmulas e de receitas já pensadas pelos outros”. Neste sentido, lembrei-me de um conto do escritor moçambicano Mia Couto – “Os sete sapatos sujos” –, onde ele lembra que uma das formas de pobreza é a “da nossa reflexão sobre nós mesmos”. A história de Kamkwamba, é, incontestavelmente inspiradora, sob diversos pontos de vista. Por isso deu essa bela produção que elevou o mundo: .........................................................
“A democracia é igual a mandioca importada: apodrece rápido.” “Amado Pai, lute por esta família.” “Às vezes, são sonhos, e às vezes, são só mentiras.” “Deixe que saibam que sabemos o que acontece.” “Democracia em ação, liberdade de expressão.” “Deus é como o vento que tudo toca.” “Ele não acreditou em mim. Ele nunca acreditou. Ele sabia que eu falharia. Como falhei.” “Ele vai cuidar pra que a situação não volte a ficar tão ruim.” “Eles tentam de tudo pra pressionar as pessoas simples como nós para poderem tirar da gente.” “Esqueça a escola! Esqueça a biblioteca! Não quero que chegue perto dessas idiotices de novo.” “Estamos preparados pra fazer nossas vozes serem ouvidas.” “Eu te amo. Não sei o que importa mais que isso.” “Às vezes, são sonhos, e às vezes, são só mentiras.” “Eu vou cuidar de você e de sua família como meu pai cuidou.” “Exigimos garantias de nossas lideranças.” “Faremos tudo certinho. Prometo.” “Há coisas que eu sei e você não.” “Junte suas coisas e vá!”

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