A terra de Jean Paul Sartre, a velha Paris,  reina absoluta no ranking das melhores cidades no mundo até os dias atuais.
              
       Paris preza e por isso merece o charmoso nome de “Cidade Luz”, independente da opinião do Bolsonaro.

       Sua magia faz intelectuais e artistas do mundo todo pagarem pau para ela. Que linda, como é gostoso andar por suas estreitas ruas, entrar em seus escandalosamente aconchegantes cafés, um atrás do outro. Comer pão, monsieur, oui, modemoiselle. Le pan, avec vin. O vinho francês é propagado em grande escala na noite pariesiense.

       E a indústria da moda? Onde aprenderam a inventar tanto, a valorizar tanto que lhes pertence. Como são bem dotados os franceses e as francesas em matéria de criatividade, bom gosto e inteligência.

       A primeira vez em que desembarquei no aeroporto Charles de Gaulle, estive mais surreal que Chico Buarque, Tom Jobim e Grande Otelo jantando rindo e cantando em voz alta no Gallery. Eu respirava satisfação e expelia gozo. Pense num caipira assanhado, recebendo feliz o carinho do planeta num momento de  paixão pela vida. Era eu ali com Roger e seu pai Cid Moreira. 

      Uma vez Paulo Francis me disse eu não só acreditei como guardei, quem chega em Paris dá de topo com o sentido da vida, porque bebe da fonte onde nasce a alegria de ter nascido.

     A primeira coisa que penso todas as vezes que desembarco por lá é o que mais é possível fazer de tanta coisa gostosa que Paris oferece. Museus e igrejas, bilionários dando bonjour, famosos arrotando esnobação com bafo de vinho e queijo. É um alvoroço.

       E se parar extasiado diante do rio Senna. Aff, belo, como não pensar em agradecer? Como ser infeliz no dia seguinte depois daquele deslumbre. Não dá.

      A receita parece clássica, não inventei, é domínio público.  Para aproveitar Paris ao máximo, basta pôr em ação o mais parisiense dos verbos: flâner. Flanar. Caminhar ao acaso. Dominar a arte de observar com discrição.

      No caminho é impossível não topar com cartões-postais – que ficam ainda mais inesquecíveis quando aparecem assim, do nada, sem avisar. Mas veja bem: Paris não está apenas nas visões grandiosas. Está nos mercadinhos, nos cafés fuleiros e sobretudo na incrível noção de elegância que todos parecem compartilhar.

      E quanto à famosa rispidez dos parisienses, use de proação, responda “Bonjour, Madame” ou “Bonjour, Monsieur” a cada bom dia que receber nas lojas e restaurantes e você vai ver como a sua percepção muda logo.    

       Também ali pelo Versailles, a procura do Champs Eliseé, os museus que muita gente nem quer muito ver mas vai sempre numa enorme empolgação danada. Todo mundo tem direito a seu dia de intelectual, esnobar é bom e todo mundo merece. Não é? Mas há quem goste de cultura e isso é tudo que Paris oferece de norte a sul.

       Sabia que tem ratos no metrô de Paris? Baratas também habitam aqueles buracos seculares onde passa um trem velho como a morte levando um montão de gente procurando a sorte de cruzar com alguma celebridade e entregar um pedaço de papel com caneta, sendo que agora tem os que preferem fazer self.
       
        Estou feliz e agradecido de ter pisado por lá algumas vezes e ter cada vez mais próxima a chance de voltar e voltar e voltar.

        Não se conhece época imprópria para visitar Paris. Mas tampouco  pelo menos do ponto de vista meteorológico existe uma época perfeita.

        Os céus de Paris costumam estar mais cinzentos do que ensolarados, e é difícil escapar de alguma chuva, não importa quando você vá. Em termos de volume, até que chove pouco -- entre 50 a 60mm todo mês. Toró assim que nem por cá é difícil acontecer; em compensação, os chuvisqueiros são persistentes.
        
        Nos bairros de Paris raramente há violência assim violenta. Todos populosos e bem limpos, arejados e tradicionais.
   
    Tudo em Paris lembra quem por lá andar que trata-se dele ou dela ser uma pessoa super especial, importante, com uma sorte bem aproveitada.
                       View of old street in quarter Montmartre in Paris, France. Cozy cityscape of Paris. Architecture and landmarks of Paris.                  



     


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