Refletindo um pouco biblicamente a situação 2018 do Brasil ferido e cansado, venho apoiar os caminhoneiros e a todos que lutam para devolver ao País a justiça, a paz e a igualdade. 

      Por dever de ofício estudei neste final de semana a Segunda Epístola de Paulo aos Tessalonicenses, onde o foco maior é o trabalho. 

      Espero que você leia até o fim e possa concordar com a certeza de que não é possível mais sustentar esse quadro em que "quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro." 

      Em tempos cruéis de quase escravidão imposta pelo sistema financeiro, a Carta aos Tessalonicenses parece ter sido escrita ontem a noite, de tão atual e oportuna.

      A Segunda Epistola dirigida à Igreja de Tessalônica parece mais direta que a Primeira. 

     Esse texto, de autoria de Paulo, Silas e Timóteo, foi escrito com o coração, porque a Igreja de Tesssalônica era muito cara a todos eles, uma vez que são seus fundadores. 

     Era uma comunidade formada, em sua maioria, pelos mais pobres dessa grande cidade. Essas pessoas simples encontravam na Igreja, vivendo em comunidade, sentido para resistir aos sofrimentos e viver na alegria que vem do Espírito Santo. 

     Na leitura desse texto encontramos as virtudes do verdadeiro cristão, na sua forma original: fé, esperança e amor. 

       A fé que deve ser mostrada pelas boas obras; a esperança, numa paciência de quem confia e espera a volta de Jesus e o amor, centro da vivência comunitária, que leva à vida fraterna onde tudo é de todos e todos são de Cristo. 

       Até hoje esses valores orientam a formação de paróquias e comunidades religiosas no mundo inteiro, pois é grande a alegria de ser acolhidos, valorizados, respeitados e considerados como membros da Igreja, pessoas humanas preenchidas de dignidade, criadas à imagem e semelhança do Pai, filhos e filhas de Deus!


      Em Tessalônica a prática das virtudes cristãs era tão forte, que até servia de testemunho para outras comunidades. 

      Tessalônica se formou com dificuldades, em meio à luta, perseguição, trabalho árduo e batalha incessante. 

      Trabalhar fazia parte da tradição, em vista da realização da própria pessoa e sustentação de uma nova ordem social, onde ninguém era peso para ninguém. “Só quem trabalha tem direito de comer”, diz o apóstolo. 

       Ele ensina que, para um cristão, o trabalho é também lugar de encontro com Deus e com os irmãos. 

       As comunidades cristãs devem ser diferentes pela busca da pureza de coração e da santidade: “Orai constantemente”, aconselha o texto, insistindo na vida de oração pessoal e comunitária e que devemos cuidar dos próprios negócios e trabalhar com as próprias mãos. 

      Em tempos em que muito se fala em métodos eficazes para se ganhar dinheiro fácil, isto é, sem trabalho, da exploração de um sistema financeiro injusto e opressor, trabalhar para o próprio sustento é uma honra que dignifica os seres humanos e questiona toda a ordem social e econômica em que vivemos. 

      O trabalho, sempre foi, é e sempre será uma possibilidade de contribuirmos para o bem comum e de repartir os dons e os bens.

      Digamos que Tessalônica seja lembrada como o primeiro modelo cristão de uma classe trabalhadora da periferia de uma grande cidade, que, à luz da Palavra de Deus, luta por viver de maneira digna, livre e autônoma. 

      Vivendo assim, dando testemunho das virtudes cristãs, esse povo ganhou o respeito de outras comunidades, por causa de seu trabalho. 

      Claro que a realidade do trabalho muda conforme os tempos e realidades. 

      Hoje, infelizmente, com os altos índices de desemprego muitas pessoas querem trabalhar, ganhar sua própria vida mas acabam vítimas de injustiças e falta de oportunidade. Existem ainda aqueles que sucumbem ao pecado da preguiça, são acomodados, não vão à luta e não dignificam seus dons. De qualquer forma é bom recordar, conforme 2Tessalonicenses, que o trabalho é um direito e um dever de todo.

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