Já ouvi essa piada da boca de mil  humoristas, Pedro Bismark incluído, Tom Cavalcante mas a ultima vez ouvi na de Ary Toledo e a primeira na boca abençoada do  seu Antonio  Pires, pai da Glória, quando era sogro do Fábio Jr.  

                     
        

         Diz muita coisa sobre como os inibidos e tímidos entram pelo cano só pelo fato de entrarem perdendo na situação. Não se posicionando direito não  vêem a cena, não vendo não podem avaliar os lados do que está acontecendo.

        Engraçado é que a piada descreve ironicamente a sequência de cenas em que um rapaz vai com um amigo num domingo a tarde ao Pacaembu assistir um jogo de futebol. 

       Como a  casa de sua avó fica no caminho, ele chama o amigo para dar uma passadinha lá dar um beijo nela. 

       Acanhado, o amigo concordou meneando a cabeça.

      Ao abrir-se a porta, ele. 

      O amigo, quase olhando para o chão,  entra  e senta na sala bem desconfortavelmente.   

     Aproveitando a visita do neto, a simpática velhinha pede para ele consertar um vazamento na pia da cozinha, lá no fundo. 

     Enquanto isso, ela bate no ombro e leva o amigo do neto para a sala e oferece-lhe uma cerveja.

     Ainda sem conversar quase nada, olhar intimidado, o rapaz se mantém lunático. 

     Mas, perto do copo está um pratinho de amendoins que, imaginando sem forças para perguntas, o rapaz começa a comer sem parar, desesperadamente.

    A velha, por sua vez, estava de olho na tv. E o acanhado jovem, tarde demais, olha e percebe que havia comido tudo que estava no prato.

    Assim que o neto dela retornou, chegou se despedindo com pressa e o colega foi se levantando rapidamente também e preocupado com o fato de não ter deixado nenhum grão de amendoim.  

      Foi saindo rapidamente, olhando para o teto, ao infinito, com cara de tacho. Mas, sem passar recibo, o amigo agradece carinhosamente:

     - Obrigado pela bebida e pelos amendoins. Espero não ter sido muito abusado, pois estava tão gostoso que não lhe deixei nenhum sequer, desculpe!

      Ao que a vovó, amável, responde:

     - Não tem problema, meu filho. De qualquer maneira não posso comê-los. Depois que perdi meus dentes, eu só lambo o chocolate que vem em volta!

      E os dois saíram rindo e devem estar rindo até hoje.

      Mas tomara que o tímido tenha perdido o desejo de vomitar.

      Este é o preço da inibição, da timidez, do acanhamento e da falta de coragem de se comunicar.


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