Quem  leva o inferno para dentro de si, pode reclamar do diabo?




     Como estudioso do comportamento humano, padre que fui, hoje psicanalista e terapeuta de Barras de Access, numa condição investigativa, permito-me  fazer-nos  algumas perguntas objetivas, de forma direta e franca, que, no fundo, não precisamos responder a ninguém, mas só a nós mesmos.  E ainda se quisermos. Porque o assunto é bem pesado e poucos topam leva-lo até o fim.

     Porém, claro está que no Brasil o suicídio de adolescentes  assume proporções epidêmicas. Você já se deparou com um caso real de tentativa ou até de  ver alguém nessa faixa etária premeditar  a própria morte? 

     Você se sente preparado para enfrentar um desafio desse na própria família? Tem conhecimento suficiente e disposição de ajudar alguma vitima ao seu redor?

     Quem me alertou para isso foi o blogueiro Galeno Amorim, que divulgador do hábito da leitura e glamourizador do mercado editorial, trouxe ao meu email uma lista de livros que tratam deste tema e me ajudou muito a sistematizar esse artigo.  

     Pergunta ele: “Alguma vez, ao terminar de ler um determinado livro, você chegou ao fim daquela leitura com uma sensação de que ler aquilo simplesmente salvou sua vida? Ou de forma um pouco menos drástica:  Alguma vez a fala de algum personagem ou certa situação de um livro ajudou você a assumir uma decisão ou, então, a lidar com um problema ou dificuldade que andou preocupando você?

     Se a sua resposta foi positiva para qualquer uma das questões acima, você faz parte dos dois terços de educadores formais e não-formais, bibliotecários, autores, gestores e agentes de projetos de leitura que dizem que, ao menos uma vez na vida, se inspiraram ou se livraram de alguma grande enrascada graças a um livro que leram e o fizeram pensar. 

      Há muitos bons livros que visam orientar sobre este desagradável fenômeno do suicídio no meio dos adolescentes.

      Em 2016, 846 deles tiraram a própria vida no Brasil. Citando apenas os que morreram e desprezando os outros tantos que apenas tentaram.  O suicídio já é a 2ª maior causa de morte nesta fase da vida.  

      Na década de 1980, um estudo nos EUA dizia que essas mortes poderiam ocorrer por imitação. Isso reforçou a ideia de que não se podia falar sobre o assunto. 

      Mais de 30 anos depois, contudo, a Organização Mundial da Saúde vai na direção contrária, e diz que sim, precisamos abrir o jogo sobre o suicídio e a tendência de auto rejeição com auto destruição:  "Não é proibido falar, só não podemos falar de forma errada”, alerta o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL) citado por Amorim.

      A questão está presente em todos os estados brasileiros, em todas as classes sociais, na escola pública e na particular, em cidades pequenas e nas metrópoles. 

      E tem tirado o sono de pais, educadores, bibliotecários, agentes de projetos de leitura,  com todos que trabalham com adolescentes.

      Então volta a pergunta, quem de nós está pronto para um sacode desses? 

      Alguém cheio de vida na flor da idade, desistindo espontaneamente de viver? E ainda: Como eu percebo quando há algo estranho? Quais sinais podem me servir de alerta o mais cedo possível?  Tenho que ficar atento ou não há nada que eu possa fazer para detectar, acolher e lidar com o problema antes da hora H? Como encaminhar e agir, de modo minimamente satisfatório, em cada caso?

     Essas perguntas parecem crueldade minha, mas servem ao propósito amoroso de nos preparar para emergências que podem salvar uma ou várias vidas em casa e ao nosso redor,  pois tudo isso já é o dia a dia dos adultos que lidam com adolescentes e estas indagações são as que mais se fazem.

     Felizmente, muitos  encontram respostas antes da fatalidade acontecer.  Mas, por infelicidade, nem sempre é assim.

     Em face de tudo isso, esperar muito seria fatal. Quem se deparar com qualquer indício do problema procure urgentemente ajuda profissional.

     Galeno Amorim prestou um bom serviço com esse compartilhamento e honra seja dada a quem a merece. Ele prometeu uma lista de  livros de especialistas para nos ajudar a enfrentar esse dilema e conseguindo alcançar resultados bastante satisfatórios.

     Então eu  farei a segunda publicação sobre o suicídio de adolescentes já com as indicações bibliográficas do fabuloso Galeno Amorim. Tamo junto pelo bem de todos.

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