Resultado de imagem para jean paul sartre

        
             Tenho feito autoaplicação da terapia de Barra de Access direto e reto e, por isso, com a consciência em constante expansão, pego embalo cerebral não apenas para criar, mas também para rever coisas de ontem que fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Uma delas foi me reportar a 1979, quando o Universo e a Igreja Católica me propiciaram conhecer as delícias do conhecimento filosófico.

             Agora, já incluidaço entre os de cabeça branca deste Brasil varonil, conto ao mundo que valeu a pena ter estudado Filosofia, ter conhecido coisas das quais todo mundo acha que sabe mas ninguém quer saber. 

            Vivemos num mundo incerto absolutamente indeterminado, mas valeu ter curtido alegrias transcendentais no meio das procuras da vida. 

           Estávamos apenas correndo atrás da vida lendo, escrevendo, cantando, debatendo e fazendo a revolução que veio, sorriu e foi embora com o vento amargo da decepção.

          Do que sei sobre as escolas filosóficas de aprender no Curso de Filosofia na Puccamp, Unicamp e Unimep, o existencialismo concebe o ser humano como umaespécie de ser vivo que, embora racional,  existe independentemente de sua vontade.  Tudo que ele deve fazer na vida é VIR A SER o que ele escolher ser. Mas como isso é possivel? 

           Contrariando de certa forma a doutrina cristã de que os humanos são, em sua essência: inteligência, vontade e liberdade. Para o existencialismo o homem (mulher também é homem nesse caso) deve usar a razão, racionalizar toda sua vida e fazer o que for necessário para chegar à sua meta, sem considerar a opinião alheia.

            Estou entre os jovens que adoravam ler Sartre, saber do Sartre, ouvir o Sartre, pois,  o existencialismo sartreano tomou conta do pensamento jovem brasileiro na década de 60 e a juventude começou a viver na lei do aqui e agora, sem se preocupar com o futuro, tentando fazer e viver intensamente o momento presente, que é no dizer de Sartre a única garantia da existência.


Leia também: http://www.ferminoneto.com.br/2019/05/velha-paris-reina-absoluta-noranking.html

          Ele dizia todo dia toda hora: "os nossos atos nos definem". Na vida, o homem se compromete, desenha seu próprio retrato e não há mais nada senão esse retrato instantâneo. 

          Nossas ilusões e imaginação a nosso respeito, sobre o que poderíamos ter sido, são decepções autoinfligidas. 

         Permanentemente estamos a nos fazer do modo que somos. Uma pessoa "corajosa" é simplesmente alguém que geralmente age com bravura. Cada ato contribui para nos definir como somos, e em qualquer momento podemos começar a agir de modo diferente e desenhar um retrato diferente de nós mesmos. Há sempre uma possibilidade de mundaça, de começar a fazer um tipo diferente de escolha. Temos o poder de nos transformar indefinidamente..

         Permita-me lembrar que Jean-Paul Charles Aymard Sartre nasceu em Paris aos 21 de Junho de 1905 e morrem em Paris no dia 15 de Abril de 1980, justamente no auge de nossa paixão por ele. 

         Sartre, para nós é o pai do existencialisto francês do início do século XX. Se você não leu Sartre ainda, eu sou mais feliz que você. Ele insistia que a condição da existência humana vinha antes da sua essência. 

         Assim, no existencialismo criador por Kierkegaard na Alemanha (Søren Aabye Kierkegaard) 1813-1855. Claro o existencialismo também veio num crescendo desde Blaise Pascal, (1623-1662) ou Santo Agostinho (354-430), aqui o papel da filosofia é invertido. 

          Fica comigo que você verá tratar-se de pensamentos e práticas super atuais que desembocam até na plataforma dos govenos conservadores arautos da moral e dos bons costumes. 

          Desde Platão, quando temos o nascimento da linguagem filosófica (em forma de diálogos), a preocupação desta é o universal em detrimento do particular. E, agora, a existência toma seu lugar na discussão filosófica, partindo de questões cotidianas, e caminhando em direção à universalidade.

           O existencialismo ateu de Sartre, por sua natureza avessa aos dogmas da igreja e da moral constituída, atraiu muitos grupos que viam na defesa da liberdade e da vida autêntica um endosso à vida desregrada, obviamente, por um erro na compreensão do que há de essencial na concepção de liberdade elaborada por Sartre. 

        Por razões semelhantes foi vista por muitos como uma filosofia nociva aos valores da sociedade e à manutenção da ordem. Seria uma filosofia contra a humanidade. Esta é uma das razões porque toda a obra de Sartre foi incluída no Index de obras proibidas pela Igreja Católica, mas terminou sendo estudada à exaustação por seminaristas como eu na época, padres como fui e freiras.

        Sartre responde a isso na conferência "O existencialismo é um humanismo" em que afirma que o existencialismo não pode ser refúgio para os que procuram o escândalo, a inconseqüência e a desordem. 

         O movimento, segundo este texto, não defende o abandono da moral, mas a coloca em seu devido lugar: na responsabilidade individual de cada pessoa. O existencialismo prega uma moral laica em que nossas escolhas não são determinadas pelo medo da punição divina, mas pela consciência de nossa responsabilidade.

           Nem senti muito isso, mas, antes de nós, na década de 60, no meio acadêmico, o existencialismo foi criticado por tratar exclusivamente de questões ontológicas e por sua defesa da autodeterminação. 

         O existencialismo seria uma filosofia excessivamente preocupada com o indivíduo, sem levar em conta os fatores sócio econômicos, culturais e os movimentos históricos coletivos que, segundo o marxismo e o estruturalismo, determinam as escolhas e diminuem a liberdade individual.

             Em resposta a esta crítica, Sartre fez alterações ao seu sistema, e escreveu "A crítica da razão dialética" como tentativa de compatibilizar o existencialismo ao marxismo. Dos dois tomos planejados, apenas o primeiro foi publicado em vida em 1960. 

          O segundo tomo, inacabado, foi publicado postumamente. Neste texto, afirma que "o marxismo é a filosofia insuperável de nosso tempo", e admite que enquanto a humanidade estiver limitada por leis de mercado e pela busca da sobrevivência imediata, a liberdade individual não poderia ser totalmente alcançada. 

           Foi a partir dai, 1982, que ficou decretado que todo bom sartreano teria que ser também um ótimo marxista.
  
          Não se pode negar a duradoura influência de Sartre sobre os mais variados ramos do conhecimento humano. Por ser muito voltado à discussão de aspectos formadores da personalidade humana, o existencialismo exerceu influência na psicologia de Carl Rogers, Fritz Perls, R. D. Laing e Rollo May, onde comecei a me tornar pessoa e a escolher ser um facilitador de vidas humanas. 

          Na literatura, influenciou a poesia da Geração Beat, cujos maiores expoentes foram Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs, além dos dramaturgos do chamado Teatro do absurdo. 

          O velho e bom Sartre prova sua relevância até na TV contemporânea, onde o cultuado produtor Joss Whedon costuma inserir o existencialismo em seus projetos Buffy, a Caça Vampiros, Angel e Firefly - o que, através da repetição descontextualizada dos jargões existencialistas, acaba por contribuir para a incompreensão e reforça preconceitos já existentes. 

          Através de suas contribuições à arte, Sartre conseguiu inserir a filosofia na vida das pessoas comuns. Esta continua a ser a sua maior contribuição à cultura mundial.

0 Comentários