Há 17 anos cheguei em casa no final do dia na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, avisei a mãe e abracei o meu filho Lucas H. Rossi que estudava com alguém do Tim Lopes no Instituto Bennett.



A gente ia jogar bola quase toda tarde. Mas naquela em especial fomos ao IML conferir a glória e a desgraça do engraçado tio Tim. Foi o primeiro Tim que perdemos de um total de 3, restou agora só o glorioso Rescala. 

Tim Lopes, como é aí? Precisamos de jornalistas investigativos meu amigo. Ficou russo por aqui, a garotada manda ver como se rapadura doce fosse mole. Eu me entreguei ao desânimo dessa arte de se arriscar pela empresa que depois só faz mandar comunicado de pêsames por uma vida que só vai, voltar não volta. Salve, Tim. Sua irmã, filhos e nem Alessandra eu vi mais. Ficamos algum tempo cobrindo suas datas com gana de manter seu nome vivo. 

 Tambem para responsabilizar a empresa e a sociedade pelo seu destino e assim proteger o de sua família. 

Manifestações de luto, protesto o que fosse, foram povoadas de gente no inicio mas depois seguiram ralentando até se diluírem como está agora só uns publicaram a lembrança do ocorrido naquele triste 31 de maio. Mas você não morreu você está escondido nos presídios assombrando essas valentões que colocaram seu corpo no microondas ou torturaram a sua nobre consciência investigativa.

A coisa agora não está mais do mesmo jeito, veio, está muito pior agora. Xau, até na padaria da von Marcius está  chato de ir, falam de você, das sacanagens que você fazia com as cervejas abertas, e choram, e lamentam. Você deixou muitos corações órfãos de sua alegria e sacadas. Se você tivesse recuado teria sido mais fácil. Você e o Ayrton Senna. Vocês dois poderiam ter arrumado com alguém algum medo de morrer. Sério.

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