Platão disse na velha Grécia, com impressionante nível de assertividade que "os sábios sempre falam porque têm algo a dizer. Os tolos sempre falam porque precisam dizer alguma coisa".


Resultado de imagem para homem grego
                      
  Ser a mudança que tanto esperamos nas pessoas, dar o exemplo, ao invés de exigirmos algo que nós mesmos praticamos.


      Parece que ele está aqui, agora, nesse tempo, em nossa casa, em nossas empresas, pelas ruas, em nossos governos, partidos políticos, em nossas corporações, em nossas igrejas, vivendo e sentindo essa verbofagia que a todo instante enterra uma multidão no cemitério dos desolados mortos vivos. 

      Palavras matam. Palavras erguem. Palavras ressuscitam. Palavras pregam inocentes na cruz. Saber falar com amor e espírito positivo, com afirmações para a construtividade é a glória de uma pessoa de sucesso. São os estímulos que nos fazem acreditar. E só acreditando o atacante chuta a bola com determinação, prazer e arte.
    
     Todos temos que um dia parar e pensar planejando ou revisando o conteúdo do que falamos e a forma como falamos o que temos a dizer.

      Porém, a verdade é que, uns mais, outros menos,  todos dizemos coisas das quais acabamos nos arrependendo.

      De toda boca sempre saem algumas palavras que machucam profundamente alguém, intencionalmente ou não.

      Pessoas que podem ser consideradas inteligentes e  maduras tendem a falar de forma deliberada e transparente, usando suas palavras para minimizar uma resposta negativa ou enigmática.

       Em geral, as palavras que saem de nossa boca podem ser interpretadas de quatro maneiras: positiva, negativa, neutra ou pouco clara.

        A inteligência emocional (QE) é definida como “a capacidade de estar consciente, controlar e expressar emoções e lidar com relações interpessoais, judiciosa e empaticamente.”

     O nível de EQ é, muitas vezes, determinante em como nossas palavras são interpretadas por outra pessoa.

     Além disso, é este tipo de inteligência que desempenha o papel predominante na decisão do que dizer e não dizer isso ou aquilo.
      EQ está intrinsecamente ligada à consciência social – a capacidade de decifrar as emoções e experiências de outras pessoas.  Em outras palavras, nossa capacidade (ou incapacidade) de ser empáticos.

       Para evitar os pensamentos e sentimentos temidos que acompanham a impulsividade, ajuda ter uma compreensão básica das coisas para ao menos, não dizer em público.

        Anote essas dicas para ter muita calma nessa hora:

1.”Não é justo!”

       “A vida não é justa”, isso os adultos mais maduros entenderiam melhor. Talvez o que aconteceu não seja mesmo justo, mas  importante a lembrar é que as pessoas que nos rodeiam são muitas vezes inconscientes do “incidente”, e mesmo que estejam familiarizadas com o cenário, proclamar “Não é justo” não faz absolutamente nada para resolver o problema.
       Por mais difícil que possa ser, concentre sua atenção e seus esforços na resolução do problema. Você vai se sentir melhor sobre si mesmo, manter a sua dignidade e, possivelmente, encontrar a solução do problema!

2.”Você parece cansado.”

       Aqui está a verdade: não temos absolutamente nenhuma ideia do que está acontecendo na vida da pessoa. Dizer “Você parece cansado” – não importa o quão bem intencionado – mostra para a pessoa que seus problemas estão em exibição para que todos possam ver.

       Que tal dizer isso de forma empática. Por exemplo, “Está tudo bem?” Essa frase sugere que você está preocupado com o que está acontecendo.

3. Declarações de inferioridade

       “Você está ótima para sua idade”, ou “Para uma mulher, você realizou muita coisa.”

     Como sabemos, ainda existe discriminação por idade e gênero. Apenas elogie a pessoa, não precisa fazer comentários para inferiorizá-la.

4.”Como eu disse antes …”

       Quem não esqueceu de algo dito por outra pessoa? Esta frase implica que você está insultado por ter que repetir a si mesmo, ou que você está de alguma forma “melhor” que o destinatário.

      Repetir a mesma coisa é frustrante. Abstenha-se de verbalizar essa frustração e tente esclarecer numa boa o que você está dizendo.



5.”Você nunca…” ou “Você sempre …”

     Normalmente, essas palavras são usadas de forma falsa, desonesta, ou dramática. Muitas vezes, elas são usadas para magoar alguém por raiva ou desprezo.

      Substancie o que a outra pessoa fez, forneça alguns detalhes. Por exemplo: “Eu tenho notado que você continua a (tal e tal), há alguma coisa que eu possa fazer para ajudar / algo que eu deveria saber?”

6.”Boa sorte.”

     Aqui está o nosso raciocínio: sorte leva um resultado fora das mãos da pessoa e a sujeita a influências externas. Alguém já fez treinos para ganhar na loteria? Não. É sorte.

     Essa frase é sutil, muitas vezes bem intencionada e é certamente subjetiva à própria interpretação. Mas, dizer algo como “Eu sei que você tem o que é preciso”, ou “Você vai conseguir tranquilamente” pode reforçar a confiança de alguém a um grau mais elevado do que a noção de sorte.

7.”Não importa para mim.”

     Quando alguém procura sua opinião, espera um feedback construtivo, seja qual feedback for. 

     Dizer “não importa para mim”, convenhamos, de certa forma sugere que a situação da pessoa não tem nenhuma importância para você, ou que tomar o tempo necessário para fornecer um feedback, não é uma prioridade.

     Em vez disso, esteja ciente da situação da pessoa. Se estiver sem tempo, marque um momento em que você possa ouvi-la ativamente.

8. “Com todo o respectivo respeito…”

    Pense bem. Essas palavras são realmente influenciadas pelo respeito ao interlocutor? 

    Se você puder, honestamente, responder “sim”, então, continue. Apenas saiba disso: como você molda suas palavras, sua linguagem corporal e sua entonação de voz rapidamente, tornará aparente se o devido respeito foi ou não foi dado.


9. “Eu avisei, não foi?”

      Esta frase está cheia de presunção e superioridade. Também é infantil e imatura. Nenhum adulto maduro e inteligente deve pronunciar tais palavras.

     Você pode ter avisado alguém das consequências de uma determinada ação. Talvez elas tenham chegado. Talvez estejam além do ponto de crítica construtiva.

     Encontre uma maneira mais empática de interagir com alguém que fez uma má escolha, uma expressão que não envolva desprezo. 

     Talvez a pessoa precise de alguma ajuda que não possamos oferecer. Considere suas opções e aja (e fale), inteligentemente.


10.”Eu desisto.”

      Dizer “Eu desisto”, enquanto aparentemente inofensivo é uma afirmação de que somos incapazes de superar algo à nossa frente. Talvez seja um chefe terrível, uma tarefa / projeto difícil, um colega de trabalho desdenhoso ou qualquer outra coisa.

       Mas lembre-se: você é muito mais forte / esperto / capaz do que pensa. Não há absolutamente nada que você não possa superar. “Eu posso fazer isso” são as únicas palavras das quais  você precisa.

       Vicente Panayottis, meu amigo grego, que, pela sabedoria era mais velho que sua idade, morreu e me deixou de cara para o gol nesse mundo, intuindo que eu teria netos que precisariam de mim ativo no mercado. 

       Ele é a pessoa nessa vida que eu mais admirei pela forma de falar, olhar, gesticular, articular e se expressar. 

      Jamais pronunciava uma palavra sem objetivo explicito, ponderado, para ser decisivo e direto. 

     Vicente permanecia horas e horas calado numa reunião, ouvindo e olhando, respirando e tomando água ou café com o celular desligado e valorizando as pessoas; mas quando dizia alguma coisa era para acrescentar um condomínio sobre o projeto de um apartamento que alguém estava oferecendo para ele. 

     Suas palavras eram sempre de força, carinho, reconhecimento e reforço do lado positivo das pessoas, pois ele sempre me dizia que suas palavras valiam tanto ouro quanto o seu silêncio.  
     Ah se pudesse tê-lo por aqui hoje em dia!

0 Comentários