Nesse post, selecionamos algumas características básicas peculiares da argumentação oral e aplicáveis no fórum pelo profissional de Direito, 

Imagem relacionada

que o texto escrito, mais  costumeiro nesta seara, quase não tem. 

      Procuramos torna-las interessantes para que, ao final, sejam julgadas proveitosas e justifiquem a sua e a nossa dedicação.

                                   
                              Cuide bem da imagem


               https://www.youtube.com/watch?v=P2OdLHCyKKo&t=4s

      Sempre se deve realçar, mesmo contrariando aqueles que afastam a linguagem da técnica jurídica, que a figuratividade é um grande elemento do discurso. 

      Figurativo é, digamos, aquilo que não é conceitual - não as ideias em si, porém as pessoas e as coisas. A oratória compreende duas partes: o conteúdo, o que dizer e a forma, como dizer.

      O que seria mais persuasivo para nos conscientizar a respeito da necessidade de democratizar um país de regime autoritário como a China: um dossiê relatando quantas mortes ou presos políticos há naquele país, ou a imagem de um estudante, sozinho, em um desfile militar na praça principal, fazendo parar, apenas com seu corpo, uma fileira de tanques? 


                              Quem não memoriza uma imagem?


     A força persuasiva das figuras é enorme: um romance como Vidas Secas, em ficção, persuade mais sobre a realidade do sertão que um monte de estatísticas sobre a seca, assim como a imagem de uma criança mordendo o revólver de um policial pode levar o interlocutor a motivar-se sobre o problema do menor abandonado de modo bem mais rápido que uma exaustiva dissertação, conceitual e detalhada, sobre o mesmo tema.

    Quando o operador do direito constrói um discurso oral, antes de qualquer conteúdo que venha a falar, já se está comunicando por sua figura, talvez até de forma mais persuasiva. 

    No caso, sua própria imagem, visual. Daí que a postura ereta, o tom seguro da fala, as roupas sóbrias e de bom gosto não são, nesse contexto, questão de vaidade, porém compõem o próprio discurso. 

     “Às vezes, ousa-se dizer, mais que as próprias palavras que serão enunciadas”, dizia sempre o insigne jurista e amigo pessoal por longa data Hélio Bicudo.

     Portanto, é fundamental que o advogado em ação tenha consciência de que a sua vestimenta, o seu olhar, a sua voz, os seus gestos, a sua postura, a sua educação, farão por si grande parte do seu trabalho.  

     A entonação forte pode ser bem ou mal usada e é também fator preponderante do discurso oral; mas antes de pretender a convicção dos outros deve o próprio demonstrar ele mesmo estar convicto - e muito - daquilo que defende. 

     Mas este já é assunto para um próximo post.




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