Vivemos em plena era da tecnologia, somos todos seres meio virtuais meio reais, matrix, cibernéticos por convicção, conectados por satisfação. Essa nossa nada mole vida virtual cansa a beleza e nos faz carecer de um abraço, de um olhar profundo e de uma verdade que por tras do teclado é possível esconder.




Como temos à disposição todas as ferramentas necessárias para nos conectar com pessoas do mundo todo, redes sociais, aplicativos de mensagens instantâneas e de chamadas de vídeo e mais muitos outros como sites de compras. Isso é positivo, podemos nos manter próximos das pessoas que amamos, ainda se estivermos do outro lado do mundo.
Por outro lado, pensemos,  estamos nos tornando cada vez mais pessoas alienadas, presas ao mundo virtual e isoladas daqueles que estão do seu lado.
        Isso é alarmante e nos mostra que é necessário repensar sobre a influência da tecnologia nos relacionamentos interpessoais físicos, no “mundo real”. Fala-se muito hoje até em namoro virtual, sexo virtual, oração online. Os adolescentes andam decidindo virtualmente por games o sim ou não para a própria existência.
É muito bom conhecer pessoas de diferentes nacionalidades e culturas e é ótimo manter contato com nossos amigos e familiares que moram longe através da internet, mas substituir ou negligenciar a presença física, os abraços, as conversas sinceras, os momentos de diversão não é saudável para ninguém. Somos seres sociais que prosperam no relacionamento com o outro, e por isso as mensagens de texto e emojis nunca serão a nossa verdadeira maneira de nos mostrar ao mundo.
As redes sociais, apesar de nos aproximarem de quem está longe, também nos afasta daqueles que estão perto, isso é um fato que se percebe mesmo na mais rápida análise da sociedade. As pessoas se falam cada vez menos, não se olham nos olhos e não sabem mais como criar relacionamentos ao vivo porque estão ocupadas demais olhando para as telas de seus celulares.
Poderíamos simplificar a vida novamente, redimensionando o valor da tecnologia para estabeler um equilíbrio justo entre vida real e vida online.
Há já se criou a campanha “precisamos de mais abraços e menos Whatsapp”, de mais momentos e menos mensagens, de mais intensidade, viver momentos com nossas almas, de uma conexão mais profunda conosco mesmos e com as pessoas ao nosso redor. Devemos aprender a nos aceitar mais como somos e dependermos menos de “likes e loves” para reconhecermos nossa verdadeira beleza e dons.
Os benefícios da tecnologia são inegáveis e sua influência no nosso mundo é bastante positiva, mas precisamos aprender como usá-la para nos alavancar e não limitar, para que seja um complemento positivo para a  vida, mas para que não se torne a nossa vida.
Pode ser um pouco estranho no começo, mas as recompensas da amizade face-a-face valem todo o esforço. Você já pensou em se tornar efetivamente amigo(a) na vida real de alguém que só conhece online? Talvez vocês tenham seguido um ao outro no Instagram, ou você veja as postagens dele(a) no Facebook e pense: “seria bacana conhecê-lo(a).”
          Ao mesmo tempo, você sente que já sabe muito sobre a vida de tal pessoa porque acompanhou suas postagens. Você se sente conectado a essa pessoa porque conhece detalhes de sua vida, mas não está realmente conectado porque, na verdade, vocês não se conhecem.
Não há confiança nem vulnerabilidade acumuladas, não houve testes nem provas não se comeu ainda aquele famoso saco de sal para merecer que vocês sejam chamados de amigos. Não houve o indispensável processo do dar e receber. Os detalhes que vocês compartilharam entre si são os mesmos compartilhados com centenas de outros seguidores. Se se tratasse de um encontro de coração para coração, seria mais provável haver maior felicidade.
Mas isso não quer dizer que você nunca deve buscar amizades reais entre seus amigos virtuais. Só que a amizade real exige tempo, dedicação e esforço. E o primeiro passo para estabelecer uma base para isso é começar a conversar, e de preferência frente a frente. Se você tem liberdade suficiente – talvez tenham se cumprimentado antes ou tenham amigos em comum, convide a pessoa para tomar um café ou promova oportunidades de interação em grupo como já foi mais comum nesse meio no início do fenômeno. Este é provavelmente o passo mais difícil. Porque se ela não responder ou responder e disser não, você volta à estaca zero. Além disso, a rejeição dói.
Mas se ela concordar, marque uma hora e um lugar e saiba que você venceu o maior obstáculo. Uma vez que vocês se encontrarem, você pode começar compartilhando pequenas coisas de sua vida vida cotidiana, seus gostos e coisas de que não gosta.
Não se surpreenda nem abandone o barco se a primeira vez que conhecer alguém for um pouco estranha. A vida real é meio desconfortável às vezes, e não há como se tornar amigos assim do nada. Nos encontros virtuais nos idealizamos uns aos outros, mas na hora H mesmo tudo é como tem que ser, como é.
Pode demorar alguns encontros para chegar a um ponto onde você se sinta confortável em compartilhar mais da sua vida, e no qual a conversa flua melhor. Além disso, certifique-se de fazer mais do que apenas sentar em uma cafeteria. Caminhe em uma praça ou parque, façam uma atividade juntos. Fazer alguma coisa tira a pressão de sentar e manter contato visual enquanto olha, mastiga e bebe.
Também nunca vá alimentando-se de expectativas como, por exemplo, esperando que vocês dois se tornem amigos na vida real, pois isso nem sempre dá certo. Muito menos ainda se tiver alguma pretensão sentimental segredada.
Amizades e amores exigem trabalho, comunicação e química natural. Embora você possa estar presente com tudo isso, não há garantia de que a outra pessoa possa se comprometer com o que é necessário ou com essa mesma conexão real com você. Se esse for o caso, não há problema em ficar desapontado. Mas não desanime e não deixe de tentar de novo com outras pessoas. Amigos reais podem dar abraço, amigos virtuais, bom amigos virtuais são seres que como inexistem.

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