Não adianta, independe de qual seja o motivo da crise conjugal, sempre estamos  condicionados a acreditar que é a mulher...

                                                                  Bpoetisa Elke Lubitz 

quem precisa tomar à frente na hora do entendimento. 

         Cabe a ela demonstrar paciência quando ambos estão à beira da loucura. Até tudo se acalmar, chamar o fulano para para conversar; está nela se conformar que "casamento tem fases ruins e fases boas", DR total. 

        Seja qual for o problema, ele só acaba se a mulher tomar alguma atitude, o que inclui também não tomar atitude alguma. 

                                                                    


        Pergunta gritante ao Psicanalista: "Se o casamento é uma soma de ações de duas pessoas, porque se imputa apenas a uma delas o dever por solucionar os conflitos"?

       Especialistas afirmam que a principal justificativa vem da construção cultural dos papéis de gênero: os homens sempre receberam muito estímulo para ganhar dinheiro (os caçadores, pescadores), com o qual deve prover o lar em suas necessidades. O homem por isso precisou sempre ter sucesso profissional, se aventurar pelo mundo. Coube às mulheres, porém, as funções de cuidar da manutenção do lar e e da educação dos filhos.

       Outra pergunta ao Psicanalista: "Por que algumas mulheres tratam os parceiros de forma infantilóide, como se fossem criança?

       Ainda que muita coisa tenha mudado, as religiões, principalmente as judaico-cristãs e Muçulmana, também se encarregaram, ao longo da história, de associar às mulheres a função do cuidado e do apaziguamento da reação, aquela que suporta calada e atenua conflitos entre o pai machão e os filhos inéptos indefesos .

        De dia em dia, casamento em casamento, isso foi disseminado história afora, milênios a fio, principalmente  valorizando o ato de se sentir agradecida por encontrar um homem disposto a se casar com ela, a construir um lar e por ter uma família". Ficar solteira ou solteirona sempre pareceu uma maldição da qual os seres femininos davam qualquer coisa para se livrar.

        Portanto, convenhamos que tudo isso vem do modelo feudal, patriarcal obsoleto, alimentado por crenças infundadas e interesses machistas em subestimar, subordinar, explorar e abusar de mulheres, a fim de evitar a competição material por poder, controle e prestígio social. 

        Como afirma a advogada carioca Débora Evers, presidente da ASSOCIAÇÃO DE MULHERES ADVOGADAS DA ZONA OESTE, em brilhante discurso na OAB-Rio, comentando a importância da lei Maria da Penha: "O ingresso feminino no mercado de trabalho e na política significa competição direta por vagas e cargos antes ocupados exclusivamente por homens. A criação de barreiras à ascensão feminina representa um esforço para manter o prestígio e a ideia de supremacia masculina. Portanto, a propagação de 'rainha do lar' e cuidadora é uma tentativa de conferir algum consolo e mantê-la quietinha, sem representar nenhum tipo de ameaça à estrutura socialmente consolidada há tanto tempo"..

       Conclusão: ainda há um longo caminho a percorrer. Por mais que os costumes evoluam, são necessárias gerações e mais gerações para mudar pensamentos arraigados, considerando que a única opção viável para uma moça considerada "de família" era se casar, virgem, obrigatoriamente, e se preocupar com a limpeza da casa, o bem-estar do marido e a educação dos filhos, mandando no máximo neles e na empregada para quem a puder contratar.

     Há também o dado que homens aprenderam  que demonstrar sentimentos é fraqueza, neles a herança cultural patriarcal ainda tem um peso enorme na comunicação (ou na falta dela) entre homens e mulheres.

     Se pararmos para pensar bem, um casamento à base de amor é algo muito recente na história da humanidade. Homens e mulheres da contemporaneidade foram criados por pais que reproduziram, ao educar seus filhos, modelos antigos de masculino e feminino trazidos pelos próprios pais. Ainda carregamos muitos traços dessa herança, como acreditar que homem não deve chorar. Se hoje ainda é a mulher quem se dispõe a tentar salvar uma relação e chama o outro para conversa é porque ela foi preparada e incentivada a lidar com sentimentos. O homem, não, sabemos.

     Não há como consertar um relacionamento sem diálogo. E não existe diálogo produtivo sem que as pessoas envolvidas falem abertamente sobre seus sentimentos, desejos e necessidades. Eis aí outro entrave: há um grande preconceito em cima do termo "DR", principalmente por parte dos homens.

     Se a mulher quer conversar sobre o que não está bem, ele já se posiciona na defensiva. Os pedidos dela são entendidos como cobranças e as insatisfações são ouvidas como críticas. É é uma questão gravíssima de gênero que afeta muitos casais. Se ambos se colocassem disponíveis a ouvir o outro, tudo seria mais simples.

    A maioria das mulheres assimilam melhor a doutrina da indissolubilidade matrimônio, conferindo ao feito um status como Sacramento e como tal inviolável e de inegável confiança.  O que não se inclui dai terem também acreditado também no sonho do "felizes para sempre", quando o padre compara o casamento ao mistério da Cruz e Ressurreição de Jesus, ciente de que onde há gozo, há dor, onde há alegria surge sempre a tristeza.
   
     Mas, como o amor virou produto de consumo, o mercado oferece dificuldades para vender facilidades. As pessoas são induzidas a procurarem no outro pelo casamento o prazer que na verdade entraram oferecendo. Mulheres seduzidas pela delicia da ilusão, mergulharam-se no conceito hollywoodiano de amor e sonhadoras se tornam mais românticas que o necessário. Assim, elas encontram energia para assumir a responsabilidade por resgatar o relacionamento com a hipotética força do seu amor.

     As mulheres em geral expressam mais o  afeto que os homens, o que sempre facilita a reaproximação do casal, ensinou o padre Charnonneau, citado em sermão várias meses na missa aos casais pelo Padre Eusébio van den Aardweg, sscc, em Capivari, SP.
 
                                                           
                                                            

0 Comentários