Esse texto profissional, amoroso e solidário pode nos ajudar. Parece escrito com a alma pela consteladora Neiva Klug.



"Fui procurada por uma mãe em busca de ajuda para seu filho de quatro anos, diagnosticado por especialistas como portador do espectro autista, apresentando os principais sintomas que caracterizam essa síndrome.
Pedi então algumas informações sobre acontecimentos significativos nas famílias tanto da mãe como do pai;
Me chamou atenção o relato de um fato ocorrido com a familia de origem do pai, onde houve um acontecimento desagradável por parte de uma das filhas, irmã do pai, a mais velha, a qual teria causado perdas financeiras a
família, e gerado desconforto moral muito grande para a mãe, pois os prejuizos causados a terceiros e não assumidos por essa filha que se mudou da cidade feriram a identidade de honestidade e retidão da família.
Essa mãe veio a falecer logo depois por enfarte, e todos da família diziam que "morreu de desgosto" pela vergonha causada por essa filha. Os demais filhos também a consideravam culpada, porém nada era dito as claras, era algo velado no seio da família. Mesmo no dia do velório da mãe, ao qual essa filha veio, todos se mantiveram reservados, combinaram não falar sobre isso à irmã, mas todos a julgavam culpada.
A mãe também colocou que havia já tentado por três vezes engravidar por meio de fertilização, e que não
obtve êxito, e já havia passado antes por dois abortos naturais.
Após desistir das fertilizações, e desistir de tentar engravidar, foi consultada pela equipe médica responsável pelas fertilizações, sobre o último embrião que permanecia congelado, se poderia fazer doação do mesmo
para estudos de células tronco.
Disse que assinou autorização para doação para estudos sobre a síndrome do autismo.
Após três anos, a mãe engravidou, naturalmente, e então nasceu esse filho, que hoje apresenta o diagnóstico de espectro autista.Também haviam mais três filhas por parte do pai, as quais percebia-se que geravam um certo incomodo com o sistema atual deste, e que precisavam também ser olhadas e incluídas na presença deste irmão.
Havia necessidade de ordem e pertencimento a todos.
Então, esse menino que dizia-se ser o filho único desse casal, na verdade era o sétimo da irmandade gerada por seus pais, e décimo na totalidade da irmandade gerada pelo pai.
Colocada essa constelação, representando a criança, os pais, o sintoma, colocamos então os pais do pai e irmãos do pai.
A Mãe do pai mostrava-se muito brava, punhos cerrados, olhar cobrador, para a filha mais velha, que chorava muito, e os demais irmãos, olhares acusadores.
A representante do sintoma, inicialmente não queria olhar para isso, se isolava e ficava incomunicável, cabeça
abaixada sobre as pernas, isolando-se.
Tempos depois se aproximou da Mãe do pai (avó) da criança e se movimentava aflita em meio as duas, olhando para os irmãos com olhar de reprovação, diante do choro da irmã.
Esta pediu perdão a Mãe, falou que não teve culpa, pediu perdão repetidas vezes em pranto, também aos irmãos.
Sugeri a fala: por favor não me julguem. Sou uma de vocês.
Após algum tempo todo o sistema se acalmou, os irmãos a abraçaram, a mãe respirou aliviada, mudou totalmente
sua expressão, e então quis deitar-se e assim permaneceu.
A representante do sintoma se afastou bastante, disse que estava muito melhor, mas algo ainda faltava.
Então, fiz a inclusão dos abortos, todos, e do que fora doado para estudos. Este se apresentou sentindo uma ligação muito forte com o irmão (constelado) e dizia amá-lo muito, e que sentia muita falta, muita saudade dele.
Todos os demais se emocionaram muito e se identificaram prontamente com o menino.
Houve algo muito lindo ali naquele campo entre eles, os olhos como que falavam palavras amorosas de uns para os outros.
Incluídas também as três meninas maiores filhas do pai.
Nessa sequência de fatos, a representante do sintoma falou: eu preciso sair agora. Não faço mais parte disso. E foi se afastando de costas até sair totalmente do sistema.
As respostas as questões sistêmicas do autismo ficam evidenciadas nesta constelação, quando o mutismo autista
era ligado ao pai e irmãos do pai que condenavam em silêncio a irmã como responsável/causadora da morte da mãe pela culpa que também atribuiam a ela de ter causado grande prejuizo a familia e a moral familiar, e a raiva vinha da avó, mãe do pai, que mostrava toda sua indignação e raiva pela filha por causa do ocorrido.
Não posso alcançar ainda o que está no não aparente da doação do irmão embrião para estudos.
Houve uma boa intenção por parte dos pais, os quais não imaginavam a extenção das implicações resultantes de inseminação artificial que não alcançam sucesso e são eliminados.
Bem, essas e várias outras experiências nos levam a concluir que o pertencimento, e portanto a ordem, tem a ver com o momento da fecundação e que os embriões passam a pertencer a partir dai, com efeitos sobre a irmandade e também sobre o casal."


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